05 setembro 2026

APROVEITAMENTO DE CATALISMOS PELA COMUNICAÇÃO SOCIAL PARA CRIAR ANCIEDADE NA POPULAÇÃO

NARRATIVA DE HÁ 500 ANOS ATRÁS

Em 1517 o rio de Valência também "subiu acima das pontes" e entrou pela cidade. 

As mortes provocadas por inundações contaram-se às centenas

(Este artigo tem mais de 1 ano)

Há mais de 500 anos, Valência, como agora, foi inundada e destruída pela força das águas. A tragédia foi comparada ao episódio bíblico da arca de Noé e as mortes contaram-se às centenas.


Marina Ferreira
Texto

31 out. 2024, 18:42


A cidade espanhola de Valência retratada numa xilogravura do século XVI

Universal Images Group via Getty

A tempestade dos últimos dias em Valência é descrita como a mais destruidora do século XXI, mas a História mostra que a província espanhola foi vítima, ao longo dos séculos, da força destruidora da água das chuvas torrenciais. A mais famosa e mortífera inundação ocorreu em Valência a 27 de setembro de 1517 e provocou o desabamento de centenas de casas e estruturas. As vítimas mortais contaram-se às centenas, não existindo registo de um número certo.

A cidade da costa oriental de Espanha estava em preparativos para uma semana de festividades para celebrar a chegada do novo rei, aquele que seria o futuro imperador Carlos V, como recorda o El Español. Crónicas de jornais antigas dão conta de uma chuva intensa que atingia a região durante mais de um mês. À chegada do novo monarca a Espanha, a 2o de setembro, a chuva deu tréguas, acontecimento que foi interpretado pelos valencianos como um bom presságio em relação ao futuro.

A antevisão falhou. A 27 de setembro, o rio Tura transbordou e provocou inundações em toda a cidade. José Ángel Núñez Mora, climatologista espanhol consultado pelo El Español, analisou documentos que registam a força da enchente que provocou o colapso de três das cinco pontes que existiam na cidade naquele tempo.

Outros arquivos da época conservam relatos em que se detalha que “veio o rio de Valência tão crescido, que subiu acima das pontes e entrou [na cidade]”. Outras localidades da região, como Sumacàrcer, Gavarda, Alzira ou Algemesí, também foram afetadas pelas chuvas torrenciais na mesma altura, tal como aconteceu nos últimos dias.

Em 2016, o jornal Las Provincias escreveu sobre o desastre de 1517, que nesse ano celebrava o seu 499º aniversário. Citou cronistas contemporâneos às inundações que se tornaram históricas pela sua dimensão. Davam conta da interpretação religiosa que muitos valencianos deram à tragédia natural. Consideraram-na uma “nova inundação universal de dimensões bíblicas“, comparando-a ao aviso de Noé.

Numa das crónicas consultadas relata-se que choveu quase quarenta dias seguidos, facto que era utilizado como paralelo ao episódio bíblico da arca de Noé, em que choveram “40 dias e 40 noites”. “A cidade tornou-se uma Babilónia de gritos e vozes, nascida daqueles que morreram afogados nas águas, e em baixo as casas que desabavam”, lê-se na crónica citada pelo jornal espanhol.

Do século XIV até ao século XVII, os valencianos projetaram obras com o objetivo de conter a força das águas e evitar que o rio Túria transbordasse de tempos a tempos. Em 1957, depois de 75% da cidade ficar submergida, começou a ser estudado o desvio do rio para evitar a repetição da tragédia. O rio Túria foi então desviado para o lado sul da cidade de Valência, com o antigo leito a ser utilizado atualmente como parque da cidade.

https://observador.pt/2024/10/31/em-1517-o-rio-de-valencia-tambem-subiu-acima-das-pontes-e-entrou-pela-cidade-as-mortes-provocadas-por-inundacoes-contaram-se-as-centenas/


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A NATUREZA TEM SEMPRE RAZÃO E UMA LÓGIGA NO PERMANENTE MOVIMENTO DO UNIVERSO

NÃO È COM ALDRABICES SOBRE ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS QUE SE JUSTIFICAM CATACLISMOS, É COM A VERDADE!

 NOVA NARRATIVA POLÍTICA & ALARMISTA



Cheias mortais de Valência ainda assombram Espanha: teriam ocorrido sem combustíveis fósseis?


Direitos de autor Copyright 2024 The Associated Press.

Estudo de grande dimensão confirma que as cheias repentinas que devastaram Valência em 2024 foram agravadas pelas alterações climáticas provocadas pelo homem.

Espanha continua a tentar sarar as feridas e perceber o que falhou quase dois anos depois de uma das piores inundações de sempre.
Em 29 de outubro de 2024, uma DANA intensa (Depressão Isolada em Níveis Altos) atingiu a cidade de Valência. Este sistema meteorológico específico forma-se quando uma bolsa de ar frio se desprende da corrente de jato polar e se instala sobre as águas quentes do Mediterrâneo.
O fenómeno desencadeou cheias repentinas catastróficas que transformaram ruas em rios caudalosos, sobrecarregaram infraestruturas, danificaram casas e chegaram mesmo a fazer descarrilar um comboio. 
Pelo menos 230 pessoas morreram durante a chuva intensa e persistente, que, segundo especialistas, causou prejuízos avaliados em 29 mil milhões de euros. 
O desastre gerou indignação em todo o país, perante as dificuldades das autoridades em responder à situação.Espanha: como as cheias em Valência foram agravadas pelas alterações climáticas.
Um novo estudo, publicado na revista científica Nature Communications (fonte em inglês), conclui que as alterações climáticas de origem humana, provocadas pela queima de combustíveis fósseis, agravaram as cheias em Valência.
Os investigadores recorreram a modelos de simulação para prever a taxa e a distribuição da precipitação num mundo em aquecimento, comparando-a com condições hipotéticas mais frias, partindo do princípio de que as atividades humanas não teriam aquecido o planeta desde a Revolução Industrial.
Concluíram que o aumento das temperaturas levou a um acréscimo de 21 % na intensidade da chuva ao longo de um período crítico de seis horas, a um aumento de 56 % na área com precipitação superior a 180 milímetros e a mais 19 % de chuva total na bacia do rio Júcar.

Por cada aumento de 1 ºC na temperatura do ar, a atmosfera pode reter cerca de mais 7 % de humidade, o que pode originar precipitações mais intensas e abundantes.

O mar Mediterrâneo e o Atlântico Norte registaram temperaturas recorde durante o verão de 2024, pouco antes de a DANA atingir Espanha. Isso aumentou a quantidade de vapor de água na atmosfera e contribuiu para a intensidade da tempestade.
“Embora continue a ser incerto se, e de que forma, a frequência deste tipo de sistemas meteorológicos poderá mudar num clima mais quente, a comparação de simulações da mesma tempestade em condições mais frias e mais quentes permite estimar em que medida a tempestade se intensificou depois de se ter desenvolvido”, afirma o investigador do clima Markus Donat, que não é autor do estudo.

“No conjunto, este estudo constitui um contributo muito relevante para compreender os processos que amplificam episódios de chuva intensa num clima mais quente, empurrando-os para lá do limiar de um ‘evento extremo’ habitual e levando-os ao ponto de se tornarem desastres”.

Espanha: adaptação às alterações climáticas

Os investigadores defendem que o estudo sublinha a “necessidade imediata” de acelerar o desenvolvimento e a aplicação de medidas de adaptação às alterações climáticas, reforçando a resiliência urbana face à “ameaça crescente” de cheias na região do Mediterrâneo ocidental.
Espanha já anunciou planos para criar uma rede nacional de abrigos climáticos em edifícios públicos, para oferecer às pessoas refúgio do calor extremo antes deste verão.
O financiamento destes abrigos ficará a cargo do governo nas zonas onde as temperaturas escaldantes mais afetam o país, incluindo a Catalunha, o País Basco e Múrcia.
O governo confirmou ainda que irá financiar planos de prevenção de cheias em pequenas localidades, destinando adicionalmente 20 milhões de euros a planos de prevenção de incêndios, após os fogos recorde que reduziram a cinzas vastas áreas de floresta no ano passado.
 

Estamos tramados

                           (Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 07/10/2025)


A histeria sobre a ameaça russa à Europa permite à burocracia europeia destinar mais fundos à defesa e, em última análise, desenvolver uma narrativa que pode conduzir a um ponto sem retorno.

São imensos os casos na história de operações de falsa bandeira para justificar guerras. Ficaram célebres o afundamento do Maine (1898), o incêndio do Reichstag (1933), o incêndio da baía de Tonquim (1964), o bombardeamento do Mercado de Sarajevo (1995), o dito massacre de Račak (1999), entre outros. Eric Frattini escreveu em 2017 um livro sobre o tema com o título “Manipulação da Verdade”. Com estas operações procura-se culpar o adversário de algo inaceitável e ter assim um pretexto para o atacar preparando, simultaneamente, a opinião pública para apoiar a guerra. É, portanto, uma prática antiquíssima e frequente. Quando posteriormente se prova a falsidade dos factos é tarde, porque os efeitos pretendidos já foram atingidos. É impossível reverter a história.

O clima de insegurança que se vive na Europa provocado pelos alegados drones russos tem contornos que se assemelham aos de operações de falsa bandeira. Fazia sentido tentar confrontar diplomaticamente os russos com provas, o que infelizmente não tem acontecido. No seguimento dos 19 drones (19 setembro) que entraram e caíram ou foram abatidos em território polaco, Moscovo disponibilizou-se para falar com Varsóvia sobre essas ocorrências, mas as autoridades polacas recusaram fazê-lo, sem explicarem o motivo da recusa. O mesmo se aplica às aeronaves russas que terão violado o espaço aéreo da Estónia. As provas são exíguas ou mesmo inexistentes.

Num outro acontecimento, a Polónia prendeu um provocador responsável pelo lançamento de um drone sobre edifícios governamentais, que por coincidência era ucraniano. Entretanto, prosseguiram as “violações do espaço aéreo” em várias capitais europeias provocadas por drones. Os aeroportos em Copenhague, Oslo e Munique foram fechados ao tráfego aéreo durante várias horas. A Noruega, Dinamarca, Suécia e Alemanha relataram a entrada de “drones não identificados” no seu espaço aéreo. Apesar do frenesim acusatório apontar para a Rússia, a Noruega acabou por prender três alemães por lançarem um drone numa área restrita perto do aeroporto.

A Roménia suspendeu temporariamente as operações no Aeroporto de Bucareste por causa de um drone civil próximo da pista (13 setembro). Posteriormente, foi suspenso o tráfego aéreo no aeroporto de Vilnius devido ao aparecimento de…balões de ar quente não identificados (5 de outubro).

Falamos de situações bizarras que, estranhamente, as autoridades não conseguem explicar. Nem a polícia nem os serviços de inteligência alemães conseguiram determinar o local de onde os drones foram lançados. À falta de melhor explicação, levanta-se a suspeita de drones russos lançados a partir de petroleiros da frota fantasma russa. Estas explicações infantis fazem lembrar a responsabilidade russa pelo apagão na península ibérica inicialmente aventada. A ameaça russa serve para tudo, incluindo para tapar a incompetência. Apesar de não poderem ser levadas a sério, a Alemanha, a França e a Suécia enviaram reforços para a Dinamarca, os quais integravam a fragata Hamburg, da Marinha Alemã, e implementaram várias medidas contra drones.

Como se isso não bastasse, o sempre prestável e lesto presidente francês ordenou um assalto a um dos navios suspeitos, que navegava ao largo da costa francesa, em águas internacionais, para encontrar provas do seu envolvimento no lançamento dos drones que teriam supostamente sobrevoado o aeroporto de Copenhaga, em 30 de setembro. Esse ato de pirataria patrocinado pelo governo francês não deu em nada e o presidente francês Emmanuel Macron meteu a viola no saco. O navio retomou discretamente viagem. Owen Matthews, no Spectator, considerou o ataque aos petroleiros da “frota fantasma” um puro ato de teatro. O ensejo de fazer concorrência aos somalis terá ficado por ali. Ted Snider mostrou no The American Conservative estar convencido de que o espetáculo da “ameaça dos drones” terá sido encenado por Kiev para obter mísseis Tomahawk.

Essa demonstração de coragem e tenacidade bélica terá, porventura, sido utilizada por Macron para desviar a atenção da população francesa dos graves problemas internos, que não consegue resolver. Ao nomear quatro primeiros-ministros em menos de um ano, Macron conseguiu bater o recorde que pertencia aos governantes portugueses da 1ª República. Quem também sabia bem como desviar a atenção do povo para ameaças externas era o presidente argentino Leopoldo Galtieri, pois quando apertado em casa pelas suas políticas calamitosas, provocou uma guerra contra o Reino Unido (1982) por causa da soberania das ilhas Malvinas, com resultados desastrosos para a Argentina. Macron parece querer seguir-lhe o exemplo.

Após uma série de alegadas violações russas do espaço aéreo europeu, os líderes da União Europeia reuniram-se em Copenhaga (7.ª Cimeira da Comunidade Política da Europa) para acordar sobre o que fazer para proteger o continente de futuras agressões de Moscovo. Juntou-se ao “porco espinho de aço”, uma outra ideia maravilhosa: construir um “muro de drones”, que na prática significa alocar milhares de milhões de euros para implantar um sistema de monitorização e defesa contra drones ao longo das fronteiras com a Ucrânia, a Bielorrússia e o enclave de Kaliningrado. Os governos alemão, italiano e grego não estiveram pelos ajustes e desaprovaram publicamente o projeto, criticando o financiamento dessa ideia estapafúrdia com fundos europeus. Entretanto, voltou a ser novamente ventilada a tão almejada possibilidade de instalar uma zona de interdição aérea em território ucraniano.

Estes incidentes têm justificado uma feroz narrativa russófoba por parte das chancelarias europeias, apelando à inevitabilidade da guerra. Provavelmente depois de ter ingerido uma dose considerável de Red Bull, o chefe do Estado-Maior do Exército francês General Pierre Schill falou da guerra contra a Rússia “já”. “O Exército francês tem de estar pronto esta noite” para enfrentar os desafios de uma guerra de alta intensidade.

Os preparativos da Europa para uma guerra contra a Rússia são mais do que evidentes e públicos. Na sequência da dita cimeira, em Copenhaga, o presidente da Sérvia Aleksandar Vucic declarou que os países da NATO se estão a preparar seriamente para a guerra. Numa entrevista ao “The Guardian”, o presidente finlandês Alexander Stubb admitiu abertamente que as chamadas “garantias de segurança” da UE para Kiev significavam que os países europeus signatários devem estar preparados para lutar diretamente contra a Rússia.

O deputado do Bundestag Roderich Kizevetter veio dizer que foram registados sobre a Alemanha, nos primeiros oito meses deste ano, mais de 500 voos de drones provenientes de navios russos sobre infraestruturas alemãs de importância crítica. “Estamos a lidar com atos de sabotagem. Portanto, não acredito que não seremos arrastados para esta guerra. A Rússia quer envolver-nos, e devemos ser capazes de nos defender e apoiar a Ucrânia.”

Entretanto, o general britânico Sir Richard Shirreff — antigo segundo-Comandante Supremo Aliado da NATO na Europa — partilhou os seus receios num alarmante artigo publicado pelo Daily Mail, onde explicou como a Rússia, a pedido de Pequim, poderia atacar a NATO num futuro próximo, assim que a China decidisse invadir Taiwan “para distrair o Ocidente”. Shirreff foi ao ponto de indicar a data do ataque da Rússia à NATO (3 de novembro de 2025, pelas 14h GMT+3). Poderíamos dar muitos outros exemplos da irracionalidade que se instalou na cabeça de muitos líderes europeus.

Independentemente do que possa realmente ser, qualquer referência a drones no espaço europeu é de imediato considerada um ato de sabotagem russo, sem ser necessária qualquer investigação ou prova. Com base nisso, certos dirigentes europeus sustentam a narrativa de uma ameaça permanente à segurança europeia. O que não conseguem explicar é a racionalidade de um ataque da Rússia à NATO. Para quê? Cui bono? Será que acreditam no que estão a dizer? Não deixa de ser curioso ninguém na Comunicação Social achar estranho e/ou interrogar-se sobre esta súbita inflação de drones, que contribui para instalar o pânico nas opiniões públicas.

Uma população com medo faz menos perguntas sobre o destino dos seus impostos e é mais facilmente manipulada. O temor dá jeito aos líderes.

Na Dinamarca, estão a transformar a ameaça fantasma dos drones numa emergência pública da forma mais escandalosa que se possa imaginar. A histeria sobre a ameaça russa à Europa permite à burocracia europeia destinar mais fundos à defesa e, em última análise, desenvolver uma narrativa que pode conduzir a um ponto sem retorno. O problema é este e está agravado por uma opinião pública anestesiada, que perdeu a capacidade de questionar e de se opor aos desmandos dos poderes. Daqui não pode vir nada de bom.

Nazismo o fantasma !

Como o 'drone russo' em Leipzig reacende o fantasma nazista do Incêndio do Reichstag de 1933

2 set 2026 21:37 GMT

Episódio ocorrido no início de agosto em aeroporto alemão reacende comparações com o Incêndio do Reichstag no início da Alemanha nazista. Moscou aponta para uma sabotagem ucraniana.

RT / Domínio público e Gettyimages.ru/Jens Schlueter

Um drone com explosivos foi encontrado na madrugada de 5 de agosto perto de um avião no aeroporto de Leipzig, na Alemanha. O governo, em queda livre nas pesquisas, respondeu com medidas de exceção contra Moscou, antes de qualquer conclusão definitiva da investigação.

Às vésperas de eleições que ameaçam a coalizão do chanceler Friedrich Merz, o episódio do Aeroporto de Leipzig/Halle reativa um roteiro que a Alemanha já viveu de forma trágica: o do Incêndio do Reichstag de 1933, usado pelos nazistas para varrer os comunistas do jogo político em nome de uma ameaça externa nunca comprovada.

Noventa e três anos depois, o jogo se repete. A Rússia aponta para a ausência de evidências, nega qualquer envolvimento e destaca que Berlim pode estar fabricando um pretexto para endurecer um confronto justamente quando o governo alemão mais precisa de um inimigo fácil de apontar.

"Inventaram um pretexto", disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova. Segundo ela, a Alemanha não apresentou provas convincentes do envolvimento de Moscou no episódio. "Simplesmente não existem, nem podem existir", afirmou.
Entenda as acusações:

No início de agosto, no aeroporto de Leipzig, um drone carregando explosivos foi encontrado na área de estacionamento de aeronaves de transporte ucranianas. No mesmo período, um segundo drone teria colidido com um avião de carga que abortou o pouso no aeroporto. O primeiro artefato não chegou a explodir: o mecanismo de disparo estava desconectado, segundo a imprensa local.

Nos primeiros dias, as autoridades alemãs trataram o episódio como investigação em aberto. Ainda assim, na terça-feira (1º), o ministro das Relações Exteriores alemão, Johann Wadephul, anunciou o fechamento do Consulado-Geral da Rússia em Bonn a partir de 18 de setembro e o fim do acordo que permite o funcionamento da Casa Russa de Ciência e Cultura em Berlim, além de um endurecimento no controle de entrada de cidadãos russos no país.
Confrontação externa em meio a desgaste interno

O Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia (SVR) questionou, em nota divulgada em 24 de agosto, se as autoridades alemãs teriam disposição para chegar a conclusões imparciais sobre o caso — e torná-las públicas. Já o presidente Vladimir Putin atribuiu a reação de Berlim, sobretudo, à situação política interna do governo alemão. "A posição do chanceler é complicada. Ele não conta com a confiança de seus cidadãos", disse Putin, acrescentando que Merz "não defende os interesses nacionais" do país.


Macron e Merz contrariam aliados sobre diálogo com a Rússia e abrem racha na UE — Politico

Putin apontou ainda que as acusações contra Moscou coincidiram com a proximidade de eleições regionais na Saxônia-Anhalt, estado no qual pesquisas recentes davam à Alternativa para a Alemanha (AfD) — partido favorável a uma política mais pragmática com a Rússia — cerca de 43% das intenções de voto, à frente da União Democrata-Cristã (CDU) de Merz. O portal Politico chegou a levantar a hipótese de que parte do endurecimento alemão mira conter esse avanço eleitoral da AfD.

Uma pesquisa do instituto Trendbarometer, feita para as emissoras RTL e ntv, mostrou 78% dos entrevistados avaliando que Merz governa pior do que esperavam. Veículos alemães, citando fontes de bastidor, têm noticiado que a possibilidade de substituição do chanceler já é discutida internamente — e que as eleições podem acelerar esse desfecho.

Não é a primeira vez neste mandato que Merz recorre à confrontação externa enquanto enfrenta desgaste interno. Em maio, em meio à guerra entre Israel e Irã, ele endureceu o tom contra o presidente americano Donald Trump, revertendo o apoio inicial que havia dado à operação americana contra alvos iranianos.

Paralelo histórico com o nazismo

O episódio reacendeu comparações com um capítulo sombrio da história alemã. Na noite de 27 de fevereiro de 1933, o prédio do Reichstag foi incendiado. Horas depois, sem provas de uma conspiração organizada, o governo de Adolf Hitler atribuiu o ataque a uma trama comunista e obteve do presidente Paul von Hindenburg um decreto que suspendeu a liberdade de imprensa, de reunião e de expressão no país.

Nos dias seguintes, milhares de militantes foram presos, e o Partido Comunista Alemão foi praticamente eliminado da eleição de 5 de março de 1933 — o último pleito minimamente competitivo antes de a ditadura nazista se consolidar, semanas depois, com o Ato de Habilitação.

A maioria dos historiadores considera hoje que o autor material do incêndio, o holandês Marinus van der Lubbe, agiu sozinho. A "conspiração comunista" foi construída depois do fato, para justificar uma repressão que o governo já pretendia empreender.

A semelhança apontada por críticos do governo alemão não está na identidade do "inimigo" — comunismo então, Rússia agora —, mas na mecânica política: um incidente ainda não plenamente esclarecido, convertido em ameaça externa por um governo que enfrenta desgaste eleitoral, com medidas de exceção anunciadas antes de qualquer conclusão definitiva da investigação, em vésperas de um pleito que reconfiguraria o equilíbrio de forças no país.