26 março 2026

O acordo impossível

(João Gomes, in Facebook, 25/03/2026)


Há propostas que nascem para ser assinadas. E há propostas que nascem para ser recusadas. O chamado “plano de 15 pontos” apresentado por Trump ao Irão pertence à segunda categoria.

À superfície, parece diplomacia: uma lista ordenada, numerada, racional de exigências e concessões. Um exercício de engenharia política com aparência de equilíbrio. Mas basta um olhar minimamente atento para perceber que não se trata de um acordo. Trata-se de um ultimato disfarçado de negociação.

O núcleo da proposta é simples: o Irão deve abdicar de tudo o que constitui a sua capacidade de dissuasão – nuclear, militar e regional – em troca de promessas económicas cuja solidez já foi anteriormente testada… e falhou. Desmantelar instalações, entregar stock, aceitar inspeções totais, limitar mísseis, abandonar aliados, abrir mão da sua influência geopolítica e ainda permitir mecanismos automáticos de punição futura. Tudo isto em troca de sanções que podem regressar ao sabor de um ciclo político em Washington. Não é um acordo. É uma reconfiguração forçada.

Ora, a teoria clássica dos conflitos ensina-nos algo elementar: negocia-se quando não se pode vencer – ou quando o custo de vencer é demasiado elevado. Mas aqui começa o verdadeiro paradoxo. Se é Trump a apresentar este plano, não é ilegítimo perguntar: o que estão, de facto, a reconhecer?

Não uma incapacidade militar – essa continua a ser enorme. Mas algo mais subtil e mais relevante: a impossibilidade de controlar as consequências de uma escalada. Uma guerra com o Irão não é apenas um teatro militar. É um evento sistémico. Energia, comércio global, estabilidade regional – tudo entra em colapso por arrasto. Não há vitória limpa num tabuleiro onde cada movimento provoca ondas de choque globais.

E é precisamente por isso que este “acordo impossível” levanta outra leitura, mais cínica – e talvez mais realista. E se isto não for para ser aceite? E se for, simplesmente, uma manobra dilatória? Ganhar tempo. Testar intenções. Criar narrativa. Posicionar forças. Preparar o terreno – político, mediático e militar – para um cenário alternativo. Porque, historicamente, negociar e preparar conflito nunca foram caminhos opostos. Pelo contrário: são frequentemente paralelos.

A hipótese de uma operação militar mais agressiva não pode ser descartada. Um ataque aéreo massivo, concentrado em infraestruturas críticas, centros urbanos costeiros, sistemas de defesa e logística. Uma tentativa de controlo de pontos estratégicos – ilhas, corredores marítimos, zonas costeiras. Um choque rápido, de alta intensidade, desenhado para desorganizar antes de consolidar.

Mas aqui entra o detalhe que raramente cabe nos planos: o “depois”. Desembarcar tropa é uma coisa. Sustentar é outra. Controlar território hostil, com profundidade estratégica, redes locais e capacidade assimétrica, é um problema de outra ordem. E é nesse momento que o custo humano deixa de ser abstração e passa a contabilidade política. Quantos homens são necessários para transformar um mapa em realidade? E quantos regressam? A história recente oferece respostas pouco animadoras.

É neste ponto que a ironia se torna inevitável. Um plano apresentado como alternativa à guerra pode, na verdade, ser o seu prólogo. Uma proposta impossível pode ser apenas o argumento necessário para justificar o inevitável: “tentámos a diplomacia”. E, no entanto, há um elemento que não pode ser ignorado: o outro lado também lê o jogo.

O Irão não é um ator passivo. Sabe que aceitar este plano seria abdicar da sua própria lógica de sobrevivência. Mas rejeitá-lo implica navegar um espaço perigoso, onde cada recusa pode ser reinterpretada como provocação. A margem de erro é mínima.

O “acordo impossível” cumpre assim a sua função essencial: não resolver, mas enquadrar. Não pacificar, mas preparar. Não construir confiança, mas gerir perceções. E talvez seja essa a sua maior eficácia. Porque, no fim, não se trata de chegar a um entendimento.

Trata-se de definir quem será responsabilizado pela sua ausência ou quem reconhecerá primeiro que não tem hipótese de continuar.

18 março 2026

Será que não ter plano de guerra é o «plano» de Trump?

(Alastair Crooke in Resistir, 18/03/2026)


Os iranianos têm uma palavra a dizer sobre o término da guerra. E afirmam que estão apenas a começar.


O modelo de guerra de ataques aéreos de confronto entre os EUA e Israel está a ser desafiado por uma guerra assimétrica estratégica bastante diferente – uma guerra planeada inicialmente pelo Irão há mais de 20 anos.

É importante compreender isto ao tentar avaliar onde reside verdadeiramente o equilíbrio da guerra. É como comparar laranjas com limões; são essencialmente diferentes em caráter.

Continuar a ler o artugo completo aqui.

Entre o roubo e a extorsão, a União Europeia balança

(Por José Goulão, in SCF, 03/11/2025)


Eis o estado a que chegou o comportamento da União Europeia, farol da democracia liberal e da “nossa civilização”.


Roubar os activos russos congelados em território europeu ou extorquir ainda mais dinheiro aos contribuintes dos Estados Membros, eis o dilema que aflige a União Europeia neste último trimestre de 2025.

Ao contrário do que poderia parecer a quem ainda acredita nos discursos, documentos e propaganda da UE, não são os escrúpulos que tolhem os dirigentes dos Estados-membros, mas sim os riscos que qualquer das hipóteses acarreta, e que alguns “desalinhados” não estão para partilhar. A organização não é propriamente virgem em roubar outros Estados e em extorquir bens aos próprios cidadãos, mas, desta feita, se as coisas não correrem bem haverá perdas, danos e novos amuos e dissidências entre os governos – quiçá deitando mais achas para a fogueira em que arderá uma entidade que mente e falta ao respeito aos seus povos.

O mais relevante busílis da questão é, de novo, a angariação de meios para continuar a dar de mamar ao regime de Kiev e ao energúmeno Zelensky. Bruxelas continua a tentar convencer-nos de que temos de abdicar até ao último cêntimo, no limite até ao último soldado, para impedir que os russos venham tomar conta das Berlengas, dos Farilhões e da ilha do Pessegueiro*, uma verdadeira obsessão no Kremlin. Parece que Moscovo não pensa noutra coisa e então os 27 têm mesmo de transformar o território ainda controlado pelos nazis de Kiev num “porco espinho de aço”, como se ouve dizer a governantes de países da União e a muitos eurocratas.

O que está em discussão é a maneira de arranjar 140 mil milhões de euros para financiar o regime de Zelensky, antes que este fique sem dinheiro, o que se prevê possa acontecer em Março próximo. Como se sabe, Donald Trump não é o mãos largas que foram os seus antecessores desde Obama – ele próprio no primeiro mandato –, pelo que compete à União Europeia arcar com o frete.

Mais um frete, como sabemos. Neste momento Bruxelas procura os tais 140 mil milhões para financiar Kiev, a que se somam os 100 mil milhões necessários para comprar armas aos Estados Unidos e enviá-las para a Ucrânia Ocidental e também os 800 mil milhões calculados para modernizar o “sistema de defesa” (leia-se o aparelho de guerra) dos Estados membros para meter medo a Putin, o terrível.

Contas feitas, a União Europeia anda à procura de mais de um bilião de euros a sério (mil vezes mais volumoso que o bilião usado nas contas anglo-saxónicas) directa ou indirectamente relacionado com a guerra na Ucrânia. Neste sufoco financeiro, que faz inveja ao mais refinado masoquista, a União está ainda envolvida na emissão de 800 mil milhões de eurobonds para mutualizar, à escala dos 27, o investimento considerado necessário à recuperação do estado miserável em que se encontra a sua economia. Uma situação que é, por sinal, uma consequência da política seguida pela União Europeia e que reduziu o aparelho produtivo da zona a um anão manietado perante o resto do mundo.

Extorquir é difícil, roubar é arriscado

Na reunião do Conselho Europeu realizada na segunda quinzena de Outubro, os 27 decidiram não decidir sobre a metodologia a estabelecer para juntar os 140 mil milhões de dólares destinados a alimentar Zelensky e “reparar” o seu território em ruínas.

A alternativa que mais tempo ocupou a Van der Leyen, Costa e aos chefes dos governos dos 27 foi a do roubo. Isto é, levantar os 140 mil milhões de activos russos congelados na Bélgica e enviá-los para Kiev.

Na generalidade, a maioria dos presentes defenderam esta possibilidade, mas Bart De Wewer, o direitista flamengo que chefia o governo de Bruxelas, não esteve pelos ajustes. O dinheiro está sob a tutela de uma entidade denominada Euroclear, sediada em Bruxelas, e o primeiro-ministro belga considera que a União subestima os aspectos legais envolvidos no “movimento” desses activos sequestrados, pelo que os riscos devem ser partilhados pelos 27 no caso de haver uma decisão impondo a devolução do dinheiro a Moscovo. Além de De Wewer ter todo o direito a precaver-se para não ter de assumir a totalidade dos eventuais encargos, os 27 rapidamente perderam alguns membros nesse processo, que exige aprovação por unanimidade. Isto é, ou a Bélgica assume isoladamente as consequências do roubo, ou não haverá envio de dinheiro para Zelensky através deste método. A Hungria, a Eslováquia e, muito provavelmente, a República Checa entendem não assumir a responsabilidade de continuar a guerra na Ucrânia e muito menos a necessidade de extorquir dinheiro aos cidadãos no caso de o vício cleptómano da maioria dos seus colegas de Conselho Europeu ter consequências nocivas.

Como já se disse, o Conselho decidiu não decidir sobre a matéria, empurrando o assunto para a reunião do fim de Dezembro. Até lá, os mais ardentes defensores do roubo esperam que as enormes pressões que vão exercer (chantagem talvez seja a palavra mais adequada) sobre De Wewer e o seu governo sejam bem sucedidas e a Bélgica assuma sozinha os riscos de enviar para terceiros o dinheiro que não lhe pertence – e à revelia dos legítimos proprietários.

Nada de novo, afinal, nas práticas da União Europeia.

Com o seu toque de desespero foi colocada na mesa uma outra alternativa para financiar o nazismo de Zelensky: emitir eurobonds, ou seja um empréstimo partilhado por todos os governos da União para tentar tapar o irreparável buraco orçamental do regime de Kiev. Ou seja, os nossos governos viriam mais uma vez aos nossos bolsos para sustentar a guerra, a ditadura e a destruição no território ocidental da entidade ainda chamada Ucrânia.

Para começo de conversa, houve logo quem considerasse essa hipótese “tóxica”.

Nos bastidores do Conselho, funcionários anónimos citados pelo “Político” garantiram que países “frugais” como, por exemplo, a Alemanha e a Holanda, não querem nem ouvir falar em emissão de eurobonds “nos próximos dez anos”. A unanimidade exigida ficou, desde logo, comprometida, pelo que nem será necessário esperar pelas previsíveis negativas da Hungria e da Eslováquia, pelo menos.

Por outro lado, países “esbanjadores” como a França, a Itália, e certamente Portugal (onde o respeito pelos cidadãos está abaixo de zero) não têm condições para corresponder à partilha de obrigações, porque excessivamente endividados já eles estão. Além disso, numerosos outros governos desconfiam de mais empréstimos mutualizados porque a “disciplina financeira” na União é uma rematada indisciplina – logo, não haveria garantias de que muitos governos cumprissem as suas obrigações na amortização de uma dívida da ordem dos 150 mil milhões de euros.

Além de tóxico, houve funcionários que qualificaram este acto de extorsão contra os cidadãos como “ridículo”, tal a impossibilidade de se consumar.

Os mais persistentes membros do Conselho levantaram ainda uma outra possibilidade: a de mobilizar os activos russos sequestrados em outros países que não a Bélgica. Segundo o “Político”, o seu valor não vai além de 25 mil milhões de euros, implicando uma desesperada baixa de expectativas em relação aos 140 mil milhões congelados em Bruxelas. Além disso, nada garantiria que os chefes dos governos dos países onde jazem esses activos se comportassem de maneira diferente da Bélgica e assumissem por conta própria os riscos de o roubo ser revertido.

Avaliada a situação, parece que a via mais plausível para tentar corresponder às pulsões ditatoriais e destruidoras de Zelensky é a aposta nas diligências para “vergar De Wewer”, como se diz nos corredores do poder da União. Por um lado, em Bruxelas considera-se certo que a Rússia não terminará a guerra unilateralmente, condição para que os activos de Moscovo fossem descongelados. Por outro, muitos dirigentes e eurocratas temem que a Rússia responda a um eventual roubo dos seus bens com o envio de um exército de experimentados advogados capazes de fazer a vida negra aos cleptómanos e forçá-los a indemnizar Moscovo num total idêntico aos valores de que se apropriaram ilegalmente, acrescidos de juros bem pesados, sem contar com as custas dos processos. Tanto mais que Moscovo tem com a União um tratado de investimento mútuo desde 1989 e cuja existência pode tornar o processo ainda mais complexo e desfavorável a Bruxelas.

Era também a isto que aludia o primeiro-ministro belga quando alertou os seus parceiros de Conselho para o facto de estarem a subestimar os riscos e as possíveis consequências do assalto aos bens de uma outra nação.

Roubo ou extorsão dos contribuintes? Eis o estado a que chegou o comportamento da União Europeia, farol da democracia liberal e da “nossa civilização”, na sua cegueira para financiar uma guerra perdida e sustentar um decrépito regime filonazi.

* Pequenas ilhas ao largo da costa ocidental portuguesa

Fonte aqui

 

Após roubar os contribuintes europeus, Zelensky usa a chantagem para entrar na União Europeia

(Editorial de SCF, 10/10/2025, Tradução República Digital)


A ditadura corrupta de Zelensky é apenas um pálido reflexo dos seus patronos em Washington, Bruxelas, Paris, Berlim e Londres. 


Desde que a guerra por procuração da OTAN liderada pelos Estados Unidos contra a Rússia eclodiu em fevereiro de 2022, a União Europeia distribuiu 216 mil milhões de dólares em ajuda à Ucrânia. Isto equivale a 186 mil milhões de euros, de acordo com a última contagem oficial da UE. O número real provavelmente será ainda maior.

Os Estados Unidos deram uma quantia semelhante à Ucrânia. Tudo pago pelos contribuintes. Isto é cerca de 400 mil milhões de dólares no total em três anos, com a UE a prometer mais nos próximos anos.

Para colocar isto em perspectiva, a ajuda da UE à Ucrânia é múltiplas vezes superior àquela que todos os 27 países membros receberam — juntos — do orçamento colectivo e da administração do bloco. De acordo com a Euronews, alguns dos maiores beneficiários de subsídios da UE a cada ano são a Alemanha (14 mil milhões de euros), a França (16,5 mil milhões de euros) e a Polónia (14 mil milhões de euros). Alguns dos países beneficiários menores são a Áustria, a Dinamarca e a Irlanda (cerca de 2 mil milhões de euros).

Isto significa que a Ucrânia recebeu muito mais do que todos os membros da UE juntos.

Perceba isto. A Ucrânia, que não é membro da União Europeia, está a receber muito mais do que os estados membros reais. E você pergunta-se por que razão as pessoas em França estão a sair às ruas com raiva porque o seu governo caótico quer cortar pensões e outros serviços de bem-estar social para economizar dinheiro.

Noutros locais, os governos europeus estão a entrar em colapso devido a dívidas insustentáveis. E, ao mesmo tempo, os cidadãos europeus estão constantemente a ser ensinados de que os seus Estados precisam de gastar cada vez mais dinheiro com a aliança da NATO, até ao ponto insultuoso de terem de aceitar o corte de benefícios sociais e serviços públicos.

A Ucrânia e o seu regime corrupto de neonazis em Kiev sangraram a Europa. O chamado presidente, Vladimir Zelensky (que cancelou as eleições no ano passado, por isso ele não é realmente um presidente legítimo), está a canalizar 50 milhões de euros por mês para fundos estrangeiros para a sua aposentação, enquanto a sua esposa faz compras de luxo em Nova Iorque e Paris. Outros membros do regime, como o ex-primeiro-ministro e agora ministro da “Defesa” Denys Shmyhal, também estão envolvidos em corrupção, desviando mil milhões da ajuda militar que os contribuintes ocidentais pagaram.

Esta semana, Zelensky levou o seu bronzeado a novos níveis — se isso for possível. Ele está a exigir que a Ucrânia se torne membro da UE e quer mudar as regras do bloco para acelerar o processo. A UE concedeu à Ucrânia (e à Moldávia) um caminho acelerado para a adesão, mas, para seu crédito, a Hungria opôs-se a isso.

Em junho, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, vetou a continuação das negociações de acesso para a Ucrânia. De acordo com as regras da UE, deve haver unanimidade entre os países membros para a aprovação de novos membros. Orbán disse que a Ucrânia não é elegível por causa da actual guerra contra a Rússia. “Estaríamos a importar uma guerra”, disse ele.

Além disso, Budapeste opõe-se às leis da língua ucraniana que discriminam uma minoria húngara na região ocidental de Zakarpattia, na Ucrânia. (A língua russa também foi proibida em repartições públicas). Um referendo realizado na Hungria em junho registou que 95% dos eleitores eram contra a Ucrânia se tornar membro da UE.

Zelensky está a avançar independentemente, com a sua irritação irritada. Numa conferência de imprensa conjunta em Kiev na segunda-feira, com a indulgência do primeiro-ministro holandês ao seu lado, Zelensky disse: “A Ucrânia estará na União Europeia, com ou sem Orbán, porque é a escolha do povo ucraniano”.

O pequeno ditador ostentou a sua presunção insuportável ao insinuar que a União Europeia mudaria as suas regras para contornar o veto da Hungria — tudo apenas para acomodar o seu regime de roubo. “Mudar o procedimento é chamado de encontrar um caminho sem a Hungria”, disse ele. E numa rejeição arrogante do processo democrático, Zelensky afirmou que o povo húngaro apoia as suas ambições na UE, contradizendo o referendo de junho.

Orbán respondeu com firmeza dizendo a Zelensky que ele não poderia chantagear a sua entrada na União Europeia. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria, Péter Szijjártó, acrescentou uma dose de realidade ao afirmar: “A decisão sobre qual país está pronto para ingressar na União Europeia e qual pode ingressar na UE não será tomada pelo presidente da Ucrânia, mas pela própria União Europeia, onde tais decisões exigem unanimidade”.

Noutro comentário, Szijjártó acertou em cheio ao dizer que Zelensky está “completamente desligado da realidade”. O diplomata húngaro também lembrou que o regime de Kiev está a explodir a infra-estrutura de energia e a colocar em risco os interesses vitais dos membros da UE.

No mês passado, as forças ucranianas explodiram o oleoduto Druzhba da Rússia, cortando o fornecimento de energia para a Hungria e a Eslováquia. O regime de Zelensky realizou a sabotagem como retaliação pela oposição de Budapeste ao pedido da Ucrânia à UE. É a isso que Orbán sem dúvida se estava a referir quando criticou Zelensky esta semana por usar chantagem.

Então, aí está. Um regime neonazi corrupto e não eleito, liderado por um golpista judeu que toca piano com o seu pénis enquanto usa salto alto feminino, está a usar tácticas terroristas para atacar os interesses vitais dos membros da UE e agora está a dizer a esses membros que eles não terão direito a voto nos processos da UE, porque o regime decidiu que se tornará membro do bloco. Você não poderia inventar. Isto também depois de roubar os contribuintes do bloco em 186 mil milhões de euros para travar uma guerra contra a Rússia — uma guerra que matou 1,5 milhões de soldados ucranianos — que poderia sair do controlo numa Terceira Guerra Mundial nuclear.

Se este é o tipo de ruína que este regime pode infligir enquanto não for membro da UE, só podemos imaginar a paisagem infernal que trará depois de se tornar um membro.

Uma analogia poderia ser um morador ser atormentado por um gangue criminoso pendurado ao redor do portão e, em seguida, a família convidar o gangue para dentro do local. O líder do gangue gaba-se, coloca as suas botas sujas na mesa e começa a exigir isto e aquilo dos moradores, usando chantagem para prejudicar as crianças da casa ou alguma outra abominação.

No entanto, os verdadeiros culpados desta farsa obscena são as elites americanas e europeias que fomentaram a guerra contra a Rússia. Juntos, eles mimaram e consentiram o regime de Kiev com generosidade e indulgência, pagas pelos contribuintes. A classe dominante transatlântica EUA-UE cultivou o regime de corrupção e guerra desde o golpe de 2014 apoiado pela CIA em Kiev contra um presidente eleito. A raquete lavou centenas de mil milhões de dinheiro público para o complexo industrial militar ocidental. A raquete destruiu as economias da Europa e agora está a destruir a aparência de democracia dentro da Europa. (Não está claro qual é a posição de Trump em tudo isto, mas ele provavelmente não conta de qualquer maneira.)

A classe dominante imperialista ocidental está tão obcecada com o seu esquema de “derrota estratégica” da Rússia (e da China) e de dominação global que está disposta a cultivar qualquer regime que possa usar para os seus objectivos, não importa o quanto isto viole o direito internacional e os seus próprios princípios democráticos professados.

A ditadura corrupta de Zelensky é apenas um pálido reflexo dos seus patronos em Washington, Bruxelas, Paris, Berlim e Londres. Eles estão todos separados da realidade.

Fonte aqui

Sem Druzhba não há milhões – sem petróleo não há ilusões

(João Gomes, in Facebook, 16/03/2026)


Enquanto os ministros europeus discutem em Bruxelas sobre como salvar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, Zelensky enfrenta o dilema de um oleoduto soviético chamado Druzhba pipeline. Um tubo de ferro que, ironicamente, define o futuro de milhões de europeus muito mais do que qualquer debate em comissões ou cimeiras.

Zelensky, entre um sorriso diplomático e uma declaração aos jornalistas, recorda a todos que “está a ser forçado a reativar o Druzhba”, como se estivesse a negociar não petróleo, mas princípios morais no menu do café. A Hungria de Orbán observa do lado eleitoral, e a Eslo­váquia acena com inspeções externas, como se a burocracia pudesse tapar um buraco no fornecimento de energia.

Do outro lado, a União Europeia mantém a pose: sanções contra Rússia até 2028 e uma convicção inabalável de que, se não ceder, será moralmente superior. O problema é que, sem o Druzhba, o moral europeu sobe, mas os preços da energia também. E se a teimosia de Zelensky e de Bruxelas se mantiver, a economia do continente poderá começar a tremer antes de os tanques russos sequer respirarem na frente ucraniana.

O resultado, já visível: os cidadãos olham para os termómetros, as contas da luz e os preços do combustível, percebendo que sem petróleo não há ilusões; há apenas faturas a chegar e fábricas a reduzir produção. Enquanto isso, o drama político transforma-se numa espécie de teatro de marionetas, onde cada ator finge ter um plano e todos sabem que ninguém quer ceder.

Ironia: Zelenskyy quer manter a moral e as sanções intactas, Orbán quer votos e segurança energética imediata, e a UE? Bem, a União Europeia continua a produzir cimeiras, relatórios e declarações diplomáticas. E, nesse meio tempo, os milhões que dependem do fornecimento russo aguardam pacientemente, pagando em euros ou em ilusões.

No fim, fica claro que sem Druzhba não há milhões – sem petróleo, não há ilusões. E talvez seja isso o único consenso que Bruxelas e Kiev conseguem alcançar: uma lição amarga de geopolítica aplicada à vida real.

Descodificando a primeira guerra Epstein

(Raphael Machado in S.C.F. 13/03/2026)


As “coincidências” são tão abundantes que temos que nos questionar se essa guerra está sendo travada por motivos geopolíticos e econômicos, realmente, ou como cortina de fumaça para ajudar a abafar o maior escândalo sexual da história humana.

Eu certamente não fui o único a concluir, assim que foi divulgado o novo conjunto de documentos sobre o caso Epstein, que “agora sim, os EUA certamente vão atacar o Irã”. Mesmo que de forma meramente intuitiva, a conclusão era óbvia para todos que estavam prestando atenção, desde 2025, na possibilidade de que Israel estaria em posse de algum “podre” de Donald Trump – provavelmente vinculado à rede Epstein – e que isso seria utilizado como elemento de pressão para forçar Trump a intervir no Oriente Médio em prol de Israel.

Recapitulando, ao longo da primeira metade de 2025, Trump parecia razoavelmente frio e distante em relação a Israel, ocasionalmente, inclusive, fazendo declarações que contrariavam alguns consensos da elite sionista. Com isso não estamos querendo dizer que Trump havia se descolado em qualquer sentido significativo em relação ao lóbi sionista e Israel; apenas que ele parecia estar mais preocupado com os próprios interesses pessoais e políticos, os quais não estavam necessariamente alinhados com os interesses de Israel em relação à Palestina e o Irã.

Foi visível, porém, como de forma bastante repentina, após uma visita de Netanyahu, a agressividade da posição oficial de Washington em relação a Teerã deu um salto. Ainda que a liberação de documentos do caso Epstein em 2024 tenha deixado a reputação de Trump quase incólume, a suspeita de que Israel talvez tivesse posse de ferramentas de pressão sobre ele já era corrente. O giro de 180º na posição de Trump, com ele passando inclusive a bombardear o Irã nos últimos dias da Guerra dos 12 Dias, representou uma traição tão profunda das promessas eleitorais do projeto MAGA que só seria explicável através de chantagem.

Como dissemos, naturalmente, Trump possuía já vínculos profundos com o establishment sionista, começando por sua conexão familiar por casamento com Jared Kushner, além de inúmeros vínculos empresariais e políticos com elementos do neoconservadorismo, do Chabad, e assim por diante.

Ainda assim, a hesitação estava ali, mas ela foi repentinamente superada.

Mas Israel parece não ter ficado satisfeita com a intervenção dos EUA na Guerra dos 12 Dias. Hoje já se sabe que o ataque aéreo às instalações nucleares iranianas foi simbólico, houve aviso prévio, tal como a retaliação do Irã contra uma base dos EUA foi, também, simbólica e com aviso prévio. Os EUA fizeram um ataque performático, foram embora e declararam “missão cumprida”, visando manter-se longe de um óbvio embaraço geopolítico.

Mas para Israel, é claro, aquilo não havia sido o suficiente. O programa nuclear é apenas um pretexto, o objetivo fundamental sempre foi a estatalidade iraniana e o fato do Irã ser um obstáculo significativo para o projeto de estabelecimento de uma Grande Israel.

É assim que, alguns meses depois, subitamente nos deparamos com a possibilidade, graças aos novos documentos do caso Epstein, de que Trump possa ter tido um envolvimento bem maior com Epstein do que originalmente imaginado. Testemunhos escabrosos afirmam a possibilidade não só de Trump ter abusado de menores de idade, mas também de ter ordenado assassinatos.

Considerando que boa parte do trabalho de Epstein com esse agenciamento de mulheres e meninas para homens poderosos com o objetivo de coletar material comprometedor desses personagens, é impossível imaginar que haja fotos e vídeos comprometedores de Trump sendo utilizados como mecanismos de pressão?

O nome da operação iniciada em 28 de fevereiro piora ainda mais a situação: “Epic Fury”. Os mais atentos perceberão que as 2 primeiras letras do nome coincidem com as 2 primeiras letras do nome “Epstein”, e que agora quando alguém pesquisar em um buscador virtual o nome de “Trump” e começar a digitar essas 2 letras em seguida, será agora provavelmente contemplado por resultados focados na guerra com o Irã.

Não casualmente, nas redes sociais começou-se a popularizar o termo “Epstein Fury” para a operação dos EUA, bem como o próprio governo iraniano e suas mídias começaram a se referir à aliança EUA-Israel como “Coalizão Epstein”, à elite ocidental como “classe Epstein.

Para além disso, é curioso como civis iranianos, de forma espontânea, começaram a queimar estátuas de Baal e Moloch em praças públicas, referências explícitas à rejeição iraniana à dimensão profundamente satânica das elites pedófilas ocidentais, e isso foi recebido com acusações de antissemitismo, como se, de fato, Baal e Moloch, os devoradores de crianças, fossem os deuses de Israel.

De qualquer maneira, enquanto o conflito se desdobra e está todo mundo distraído, o Departamento de Justiça dos EUA ordenou que fossem deletados dezenas de milhares de documentos do caso Epstein, especialmente os que mencionam Trump…e a família Rothschild.

As “coincidências” são tão abundantes que temos que nos questionar se essa guerra está sendo travada por motivos geopolíticos e econômicos, realmente, ou como cortina de fumaça para ajudar a abafar o maior escândalo sexual da história humana.

Texto em português do Brasil de acordo com a fonte aqui

08 março 2026

DIFERENÇA DE SISTEMAS - DIGITAL ANALÓGICO



"INTELIGÊCIA "ARTIFICIAL
É UM MECANISMO

NÃO É UM ORGANISMO
HUMANO


A inteligência artificial (IA) surgiu como um campo de estudo formal em meados do século XX, impulsionada pelo desejo de criar máquinas que simulassem a inteligência humana, com raízes teóricas que remontam à Segunda Guerra Mundial e à filosofia antiga.

Fundamentos Teóricos (Anos 1940-1950): Alan Turing, matemático britânico, é frequentemente considerado o "pai da IA". Em 1950, ele publicou "Máquinas de Computação e Inteligência", onde propôs o Teste de Turing para avaliar se uma máquina poderia pensar. Antes disso, em 1943, Walter Pitts e Warren McCulloch criaram o primeiro modelo de redes neurais, simulando o funcionamento dos neurônios cerebrais.

Assim actualmente (IA) é um mecanismo tecnológico  não é um "organismo" biológico mas um "mecanismo" informático em aprendizagem continua, uma evolução dos <motores de busca> cujo objectivo principal é facilitação de busca na internet com textos organizados e nas empresas modelos de gestão. Na robótica controlada pela "inteligência humana", varias aplicações como para execução objectos 3D proteses e operações na medicina, construção engenharia, armamento, imagem, serviços etc. etc. etc.

> Um sistema digital processa informações utilizando sinais discretos, geralmente baseados no sistema binário (0 e 1), representando dois estados (ligado/desligado ou verdadeiro/falso). Diferente dos analógicos, oferecem maior robustez contra ruídos, alta precisão e facilidade no armazenamento de dados. São a base de computadores, smartphones e eletrônicos modernos.

> Um sistema analógico processa informações por meio de sinais contínuos que variam no tempo, representando grandezas físicas como som, luz, temperatura ou pressão através de ondas contínuas. Diferente dos digitais, operam com valores infinitos (ex: ponteiros, reostatos), sendo cruciais em sensores, medições físicas e áudio, mas suscetíveis a ruídos.