05 setembro 2026

APROVEITAMENTO DE CATALISMOS PELA COMUNICAÇÃO SOCIAL PARA CRIAR ANCIEDADE NA POPULAÇÃO

NARRATIVA DE HÁ 500 ANOS ATRÁS

Em 1517 o rio de Valência também "subiu acima das pontes" e entrou pela cidade. 

As mortes provocadas por inundações contaram-se às centenas

(Este artigo tem mais de 1 ano)

Há mais de 500 anos, Valência, como agora, foi inundada e destruída pela força das águas. A tragédia foi comparada ao episódio bíblico da arca de Noé e as mortes contaram-se às centenas.


Marina Ferreira
Texto

31 out. 2024, 18:42


A cidade espanhola de Valência retratada numa xilogravura do século XVI

Universal Images Group via Getty

A tempestade dos últimos dias em Valência é descrita como a mais destruidora do século XXI, mas a História mostra que a província espanhola foi vítima, ao longo dos séculos, da força destruidora da água das chuvas torrenciais. A mais famosa e mortífera inundação ocorreu em Valência a 27 de setembro de 1517 e provocou o desabamento de centenas de casas e estruturas. As vítimas mortais contaram-se às centenas, não existindo registo de um número certo.

A cidade da costa oriental de Espanha estava em preparativos para uma semana de festividades para celebrar a chegada do novo rei, aquele que seria o futuro imperador Carlos V, como recorda o El Español. Crónicas de jornais antigas dão conta de uma chuva intensa que atingia a região durante mais de um mês. À chegada do novo monarca a Espanha, a 2o de setembro, a chuva deu tréguas, acontecimento que foi interpretado pelos valencianos como um bom presságio em relação ao futuro.

A antevisão falhou. A 27 de setembro, o rio Tura transbordou e provocou inundações em toda a cidade. José Ángel Núñez Mora, climatologista espanhol consultado pelo El Español, analisou documentos que registam a força da enchente que provocou o colapso de três das cinco pontes que existiam na cidade naquele tempo.

Outros arquivos da época conservam relatos em que se detalha que “veio o rio de Valência tão crescido, que subiu acima das pontes e entrou [na cidade]”. Outras localidades da região, como Sumacàrcer, Gavarda, Alzira ou Algemesí, também foram afetadas pelas chuvas torrenciais na mesma altura, tal como aconteceu nos últimos dias.

Em 2016, o jornal Las Provincias escreveu sobre o desastre de 1517, que nesse ano celebrava o seu 499º aniversário. Citou cronistas contemporâneos às inundações que se tornaram históricas pela sua dimensão. Davam conta da interpretação religiosa que muitos valencianos deram à tragédia natural. Consideraram-na uma “nova inundação universal de dimensões bíblicas“, comparando-a ao aviso de Noé.

Numa das crónicas consultadas relata-se que choveu quase quarenta dias seguidos, facto que era utilizado como paralelo ao episódio bíblico da arca de Noé, em que choveram “40 dias e 40 noites”. “A cidade tornou-se uma Babilónia de gritos e vozes, nascida daqueles que morreram afogados nas águas, e em baixo as casas que desabavam”, lê-se na crónica citada pelo jornal espanhol.

Do século XIV até ao século XVII, os valencianos projetaram obras com o objetivo de conter a força das águas e evitar que o rio Túria transbordasse de tempos a tempos. Em 1957, depois de 75% da cidade ficar submergida, começou a ser estudado o desvio do rio para evitar a repetição da tragédia. O rio Túria foi então desviado para o lado sul da cidade de Valência, com o antigo leito a ser utilizado atualmente como parque da cidade.

https://observador.pt/2024/10/31/em-1517-o-rio-de-valencia-tambem-subiu-acima-das-pontes-e-entrou-pela-cidade-as-mortes-provocadas-por-inundacoes-contaram-se-as-centenas/


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A NATUREZA TEM SEMPRE RAZÃO E UMA LÓGIGA NO PERMANENTE MOVIMENTO DO UNIVERSO

NÃO È COM ALDRABICES SOBRE ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS QUE SE JUSTIFICAM CATACLISMOS, É COM A VERDADE!

 NOVA NARRATIVA POLÍTICA & ALARMISTA



Cheias mortais de Valência ainda assombram Espanha: teriam ocorrido sem combustíveis fósseis?


Direitos de autor Copyright 2024 The Associated Press.

Estudo de grande dimensão confirma que as cheias repentinas que devastaram Valência em 2024 foram agravadas pelas alterações climáticas provocadas pelo homem.

Espanha continua a tentar sarar as feridas e perceber o que falhou quase dois anos depois de uma das piores inundações de sempre.
Em 29 de outubro de 2024, uma DANA intensa (Depressão Isolada em Níveis Altos) atingiu a cidade de Valência. Este sistema meteorológico específico forma-se quando uma bolsa de ar frio se desprende da corrente de jato polar e se instala sobre as águas quentes do Mediterrâneo.
O fenómeno desencadeou cheias repentinas catastróficas que transformaram ruas em rios caudalosos, sobrecarregaram infraestruturas, danificaram casas e chegaram mesmo a fazer descarrilar um comboio. 
Pelo menos 230 pessoas morreram durante a chuva intensa e persistente, que, segundo especialistas, causou prejuízos avaliados em 29 mil milhões de euros. 
O desastre gerou indignação em todo o país, perante as dificuldades das autoridades em responder à situação.Espanha: como as cheias em Valência foram agravadas pelas alterações climáticas.
Um novo estudo, publicado na revista científica Nature Communications (fonte em inglês), conclui que as alterações climáticas de origem humana, provocadas pela queima de combustíveis fósseis, agravaram as cheias em Valência.
Os investigadores recorreram a modelos de simulação para prever a taxa e a distribuição da precipitação num mundo em aquecimento, comparando-a com condições hipotéticas mais frias, partindo do princípio de que as atividades humanas não teriam aquecido o planeta desde a Revolução Industrial.
Concluíram que o aumento das temperaturas levou a um acréscimo de 21 % na intensidade da chuva ao longo de um período crítico de seis horas, a um aumento de 56 % na área com precipitação superior a 180 milímetros e a mais 19 % de chuva total na bacia do rio Júcar.

Por cada aumento de 1 ºC na temperatura do ar, a atmosfera pode reter cerca de mais 7 % de humidade, o que pode originar precipitações mais intensas e abundantes.

O mar Mediterrâneo e o Atlântico Norte registaram temperaturas recorde durante o verão de 2024, pouco antes de a DANA atingir Espanha. Isso aumentou a quantidade de vapor de água na atmosfera e contribuiu para a intensidade da tempestade.
“Embora continue a ser incerto se, e de que forma, a frequência deste tipo de sistemas meteorológicos poderá mudar num clima mais quente, a comparação de simulações da mesma tempestade em condições mais frias e mais quentes permite estimar em que medida a tempestade se intensificou depois de se ter desenvolvido”, afirma o investigador do clima Markus Donat, que não é autor do estudo.

“No conjunto, este estudo constitui um contributo muito relevante para compreender os processos que amplificam episódios de chuva intensa num clima mais quente, empurrando-os para lá do limiar de um ‘evento extremo’ habitual e levando-os ao ponto de se tornarem desastres”.

Espanha: adaptação às alterações climáticas

Os investigadores defendem que o estudo sublinha a “necessidade imediata” de acelerar o desenvolvimento e a aplicação de medidas de adaptação às alterações climáticas, reforçando a resiliência urbana face à “ameaça crescente” de cheias na região do Mediterrâneo ocidental.
Espanha já anunciou planos para criar uma rede nacional de abrigos climáticos em edifícios públicos, para oferecer às pessoas refúgio do calor extremo antes deste verão.
O financiamento destes abrigos ficará a cargo do governo nas zonas onde as temperaturas escaldantes mais afetam o país, incluindo a Catalunha, o País Basco e Múrcia.
O governo confirmou ainda que irá financiar planos de prevenção de cheias em pequenas localidades, destinando adicionalmente 20 milhões de euros a planos de prevenção de incêndios, após os fogos recorde que reduziram a cinzas vastas áreas de floresta no ano passado.
 

Estamos tramados

                           (Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 07/10/2025)


A histeria sobre a ameaça russa à Europa permite à burocracia europeia destinar mais fundos à defesa e, em última análise, desenvolver uma narrativa que pode conduzir a um ponto sem retorno.

São imensos os casos na história de operações de falsa bandeira para justificar guerras. Ficaram célebres o afundamento do Maine (1898), o incêndio do Reichstag (1933), o incêndio da baía de Tonquim (1964), o bombardeamento do Mercado de Sarajevo (1995), o dito massacre de Račak (1999), entre outros. Eric Frattini escreveu em 2017 um livro sobre o tema com o título “Manipulação da Verdade”. Com estas operações procura-se culpar o adversário de algo inaceitável e ter assim um pretexto para o atacar preparando, simultaneamente, a opinião pública para apoiar a guerra. É, portanto, uma prática antiquíssima e frequente. Quando posteriormente se prova a falsidade dos factos é tarde, porque os efeitos pretendidos já foram atingidos. É impossível reverter a história.

O clima de insegurança que se vive na Europa provocado pelos alegados drones russos tem contornos que se assemelham aos de operações de falsa bandeira. Fazia sentido tentar confrontar diplomaticamente os russos com provas, o que infelizmente não tem acontecido. No seguimento dos 19 drones (19 setembro) que entraram e caíram ou foram abatidos em território polaco, Moscovo disponibilizou-se para falar com Varsóvia sobre essas ocorrências, mas as autoridades polacas recusaram fazê-lo, sem explicarem o motivo da recusa. O mesmo se aplica às aeronaves russas que terão violado o espaço aéreo da Estónia. As provas são exíguas ou mesmo inexistentes.

Num outro acontecimento, a Polónia prendeu um provocador responsável pelo lançamento de um drone sobre edifícios governamentais, que por coincidência era ucraniano. Entretanto, prosseguiram as “violações do espaço aéreo” em várias capitais europeias provocadas por drones. Os aeroportos em Copenhague, Oslo e Munique foram fechados ao tráfego aéreo durante várias horas. A Noruega, Dinamarca, Suécia e Alemanha relataram a entrada de “drones não identificados” no seu espaço aéreo. Apesar do frenesim acusatório apontar para a Rússia, a Noruega acabou por prender três alemães por lançarem um drone numa área restrita perto do aeroporto.

A Roménia suspendeu temporariamente as operações no Aeroporto de Bucareste por causa de um drone civil próximo da pista (13 setembro). Posteriormente, foi suspenso o tráfego aéreo no aeroporto de Vilnius devido ao aparecimento de…balões de ar quente não identificados (5 de outubro).

Falamos de situações bizarras que, estranhamente, as autoridades não conseguem explicar. Nem a polícia nem os serviços de inteligência alemães conseguiram determinar o local de onde os drones foram lançados. À falta de melhor explicação, levanta-se a suspeita de drones russos lançados a partir de petroleiros da frota fantasma russa. Estas explicações infantis fazem lembrar a responsabilidade russa pelo apagão na península ibérica inicialmente aventada. A ameaça russa serve para tudo, incluindo para tapar a incompetência. Apesar de não poderem ser levadas a sério, a Alemanha, a França e a Suécia enviaram reforços para a Dinamarca, os quais integravam a fragata Hamburg, da Marinha Alemã, e implementaram várias medidas contra drones.

Como se isso não bastasse, o sempre prestável e lesto presidente francês ordenou um assalto a um dos navios suspeitos, que navegava ao largo da costa francesa, em águas internacionais, para encontrar provas do seu envolvimento no lançamento dos drones que teriam supostamente sobrevoado o aeroporto de Copenhaga, em 30 de setembro. Esse ato de pirataria patrocinado pelo governo francês não deu em nada e o presidente francês Emmanuel Macron meteu a viola no saco. O navio retomou discretamente viagem. Owen Matthews, no Spectator, considerou o ataque aos petroleiros da “frota fantasma” um puro ato de teatro. O ensejo de fazer concorrência aos somalis terá ficado por ali. Ted Snider mostrou no The American Conservative estar convencido de que o espetáculo da “ameaça dos drones” terá sido encenado por Kiev para obter mísseis Tomahawk.

Essa demonstração de coragem e tenacidade bélica terá, porventura, sido utilizada por Macron para desviar a atenção da população francesa dos graves problemas internos, que não consegue resolver. Ao nomear quatro primeiros-ministros em menos de um ano, Macron conseguiu bater o recorde que pertencia aos governantes portugueses da 1ª República. Quem também sabia bem como desviar a atenção do povo para ameaças externas era o presidente argentino Leopoldo Galtieri, pois quando apertado em casa pelas suas políticas calamitosas, provocou uma guerra contra o Reino Unido (1982) por causa da soberania das ilhas Malvinas, com resultados desastrosos para a Argentina. Macron parece querer seguir-lhe o exemplo.

Após uma série de alegadas violações russas do espaço aéreo europeu, os líderes da União Europeia reuniram-se em Copenhaga (7.ª Cimeira da Comunidade Política da Europa) para acordar sobre o que fazer para proteger o continente de futuras agressões de Moscovo. Juntou-se ao “porco espinho de aço”, uma outra ideia maravilhosa: construir um “muro de drones”, que na prática significa alocar milhares de milhões de euros para implantar um sistema de monitorização e defesa contra drones ao longo das fronteiras com a Ucrânia, a Bielorrússia e o enclave de Kaliningrado. Os governos alemão, italiano e grego não estiveram pelos ajustes e desaprovaram publicamente o projeto, criticando o financiamento dessa ideia estapafúrdia com fundos europeus. Entretanto, voltou a ser novamente ventilada a tão almejada possibilidade de instalar uma zona de interdição aérea em território ucraniano.

Estes incidentes têm justificado uma feroz narrativa russófoba por parte das chancelarias europeias, apelando à inevitabilidade da guerra. Provavelmente depois de ter ingerido uma dose considerável de Red Bull, o chefe do Estado-Maior do Exército francês General Pierre Schill falou da guerra contra a Rússia “já”. “O Exército francês tem de estar pronto esta noite” para enfrentar os desafios de uma guerra de alta intensidade.

Os preparativos da Europa para uma guerra contra a Rússia são mais do que evidentes e públicos. Na sequência da dita cimeira, em Copenhaga, o presidente da Sérvia Aleksandar Vucic declarou que os países da NATO se estão a preparar seriamente para a guerra. Numa entrevista ao “The Guardian”, o presidente finlandês Alexander Stubb admitiu abertamente que as chamadas “garantias de segurança” da UE para Kiev significavam que os países europeus signatários devem estar preparados para lutar diretamente contra a Rússia.

O deputado do Bundestag Roderich Kizevetter veio dizer que foram registados sobre a Alemanha, nos primeiros oito meses deste ano, mais de 500 voos de drones provenientes de navios russos sobre infraestruturas alemãs de importância crítica. “Estamos a lidar com atos de sabotagem. Portanto, não acredito que não seremos arrastados para esta guerra. A Rússia quer envolver-nos, e devemos ser capazes de nos defender e apoiar a Ucrânia.”

Entretanto, o general britânico Sir Richard Shirreff — antigo segundo-Comandante Supremo Aliado da NATO na Europa — partilhou os seus receios num alarmante artigo publicado pelo Daily Mail, onde explicou como a Rússia, a pedido de Pequim, poderia atacar a NATO num futuro próximo, assim que a China decidisse invadir Taiwan “para distrair o Ocidente”. Shirreff foi ao ponto de indicar a data do ataque da Rússia à NATO (3 de novembro de 2025, pelas 14h GMT+3). Poderíamos dar muitos outros exemplos da irracionalidade que se instalou na cabeça de muitos líderes europeus.

Independentemente do que possa realmente ser, qualquer referência a drones no espaço europeu é de imediato considerada um ato de sabotagem russo, sem ser necessária qualquer investigação ou prova. Com base nisso, certos dirigentes europeus sustentam a narrativa de uma ameaça permanente à segurança europeia. O que não conseguem explicar é a racionalidade de um ataque da Rússia à NATO. Para quê? Cui bono? Será que acreditam no que estão a dizer? Não deixa de ser curioso ninguém na Comunicação Social achar estranho e/ou interrogar-se sobre esta súbita inflação de drones, que contribui para instalar o pânico nas opiniões públicas.

Uma população com medo faz menos perguntas sobre o destino dos seus impostos e é mais facilmente manipulada. O temor dá jeito aos líderes.

Na Dinamarca, estão a transformar a ameaça fantasma dos drones numa emergência pública da forma mais escandalosa que se possa imaginar. A histeria sobre a ameaça russa à Europa permite à burocracia europeia destinar mais fundos à defesa e, em última análise, desenvolver uma narrativa que pode conduzir a um ponto sem retorno. O problema é este e está agravado por uma opinião pública anestesiada, que perdeu a capacidade de questionar e de se opor aos desmandos dos poderes. Daqui não pode vir nada de bom.

Nazismo o fantasma !

Como o 'drone russo' em Leipzig reacende o fantasma nazista do Incêndio do Reichstag de 1933

2 set 2026 21:37 GMT

Episódio ocorrido no início de agosto em aeroporto alemão reacende comparações com o Incêndio do Reichstag no início da Alemanha nazista. Moscou aponta para uma sabotagem ucraniana.

RT / Domínio público e Gettyimages.ru/Jens Schlueter

Um drone com explosivos foi encontrado na madrugada de 5 de agosto perto de um avião no aeroporto de Leipzig, na Alemanha. O governo, em queda livre nas pesquisas, respondeu com medidas de exceção contra Moscou, antes de qualquer conclusão definitiva da investigação.

Às vésperas de eleições que ameaçam a coalizão do chanceler Friedrich Merz, o episódio do Aeroporto de Leipzig/Halle reativa um roteiro que a Alemanha já viveu de forma trágica: o do Incêndio do Reichstag de 1933, usado pelos nazistas para varrer os comunistas do jogo político em nome de uma ameaça externa nunca comprovada.

Noventa e três anos depois, o jogo se repete. A Rússia aponta para a ausência de evidências, nega qualquer envolvimento e destaca que Berlim pode estar fabricando um pretexto para endurecer um confronto justamente quando o governo alemão mais precisa de um inimigo fácil de apontar.

"Inventaram um pretexto", disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova. Segundo ela, a Alemanha não apresentou provas convincentes do envolvimento de Moscou no episódio. "Simplesmente não existem, nem podem existir", afirmou.
Entenda as acusações:

No início de agosto, no aeroporto de Leipzig, um drone carregando explosivos foi encontrado na área de estacionamento de aeronaves de transporte ucranianas. No mesmo período, um segundo drone teria colidido com um avião de carga que abortou o pouso no aeroporto. O primeiro artefato não chegou a explodir: o mecanismo de disparo estava desconectado, segundo a imprensa local.

Nos primeiros dias, as autoridades alemãs trataram o episódio como investigação em aberto. Ainda assim, na terça-feira (1º), o ministro das Relações Exteriores alemão, Johann Wadephul, anunciou o fechamento do Consulado-Geral da Rússia em Bonn a partir de 18 de setembro e o fim do acordo que permite o funcionamento da Casa Russa de Ciência e Cultura em Berlim, além de um endurecimento no controle de entrada de cidadãos russos no país.
Confrontação externa em meio a desgaste interno

O Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia (SVR) questionou, em nota divulgada em 24 de agosto, se as autoridades alemãs teriam disposição para chegar a conclusões imparciais sobre o caso — e torná-las públicas. Já o presidente Vladimir Putin atribuiu a reação de Berlim, sobretudo, à situação política interna do governo alemão. "A posição do chanceler é complicada. Ele não conta com a confiança de seus cidadãos", disse Putin, acrescentando que Merz "não defende os interesses nacionais" do país.


Macron e Merz contrariam aliados sobre diálogo com a Rússia e abrem racha na UE — Politico

Putin apontou ainda que as acusações contra Moscou coincidiram com a proximidade de eleições regionais na Saxônia-Anhalt, estado no qual pesquisas recentes davam à Alternativa para a Alemanha (AfD) — partido favorável a uma política mais pragmática com a Rússia — cerca de 43% das intenções de voto, à frente da União Democrata-Cristã (CDU) de Merz. O portal Politico chegou a levantar a hipótese de que parte do endurecimento alemão mira conter esse avanço eleitoral da AfD.

Uma pesquisa do instituto Trendbarometer, feita para as emissoras RTL e ntv, mostrou 78% dos entrevistados avaliando que Merz governa pior do que esperavam. Veículos alemães, citando fontes de bastidor, têm noticiado que a possibilidade de substituição do chanceler já é discutida internamente — e que as eleições podem acelerar esse desfecho.

Não é a primeira vez neste mandato que Merz recorre à confrontação externa enquanto enfrenta desgaste interno. Em maio, em meio à guerra entre Israel e Irã, ele endureceu o tom contra o presidente americano Donald Trump, revertendo o apoio inicial que havia dado à operação americana contra alvos iranianos.

Paralelo histórico com o nazismo

O episódio reacendeu comparações com um capítulo sombrio da história alemã. Na noite de 27 de fevereiro de 1933, o prédio do Reichstag foi incendiado. Horas depois, sem provas de uma conspiração organizada, o governo de Adolf Hitler atribuiu o ataque a uma trama comunista e obteve do presidente Paul von Hindenburg um decreto que suspendeu a liberdade de imprensa, de reunião e de expressão no país.

Nos dias seguintes, milhares de militantes foram presos, e o Partido Comunista Alemão foi praticamente eliminado da eleição de 5 de março de 1933 — o último pleito minimamente competitivo antes de a ditadura nazista se consolidar, semanas depois, com o Ato de Habilitação.

A maioria dos historiadores considera hoje que o autor material do incêndio, o holandês Marinus van der Lubbe, agiu sozinho. A "conspiração comunista" foi construída depois do fato, para justificar uma repressão que o governo já pretendia empreender.

A semelhança apontada por críticos do governo alemão não está na identidade do "inimigo" — comunismo então, Rússia agora —, mas na mecânica política: um incidente ainda não plenamente esclarecido, convertido em ameaça externa por um governo que enfrenta desgaste eleitoral, com medidas de exceção anunciadas antes de qualquer conclusão definitiva da investigação, em vésperas de um pleito que reconfiguraria o equilíbrio de forças no país.

26 março 2026

O acordo impossível

(João Gomes, in Facebook, 25/03/2026)


Há propostas que nascem para ser assinadas. E há propostas que nascem para ser recusadas. O chamado “plano de 15 pontos” apresentado por Trump ao Irão pertence à segunda categoria.

À superfície, parece diplomacia: uma lista ordenada, numerada, racional de exigências e concessões. Um exercício de engenharia política com aparência de equilíbrio. Mas basta um olhar minimamente atento para perceber que não se trata de um acordo. Trata-se de um ultimato disfarçado de negociação.

O núcleo da proposta é simples: o Irão deve abdicar de tudo o que constitui a sua capacidade de dissuasão – nuclear, militar e regional – em troca de promessas económicas cuja solidez já foi anteriormente testada… e falhou. Desmantelar instalações, entregar stock, aceitar inspeções totais, limitar mísseis, abandonar aliados, abrir mão da sua influência geopolítica e ainda permitir mecanismos automáticos de punição futura. Tudo isto em troca de sanções que podem regressar ao sabor de um ciclo político em Washington. Não é um acordo. É uma reconfiguração forçada.

Ora, a teoria clássica dos conflitos ensina-nos algo elementar: negocia-se quando não se pode vencer – ou quando o custo de vencer é demasiado elevado. Mas aqui começa o verdadeiro paradoxo. Se é Trump a apresentar este plano, não é ilegítimo perguntar: o que estão, de facto, a reconhecer?

Não uma incapacidade militar – essa continua a ser enorme. Mas algo mais subtil e mais relevante: a impossibilidade de controlar as consequências de uma escalada. Uma guerra com o Irão não é apenas um teatro militar. É um evento sistémico. Energia, comércio global, estabilidade regional – tudo entra em colapso por arrasto. Não há vitória limpa num tabuleiro onde cada movimento provoca ondas de choque globais.

E é precisamente por isso que este “acordo impossível” levanta outra leitura, mais cínica – e talvez mais realista. E se isto não for para ser aceite? E se for, simplesmente, uma manobra dilatória? Ganhar tempo. Testar intenções. Criar narrativa. Posicionar forças. Preparar o terreno – político, mediático e militar – para um cenário alternativo. Porque, historicamente, negociar e preparar conflito nunca foram caminhos opostos. Pelo contrário: são frequentemente paralelos.

A hipótese de uma operação militar mais agressiva não pode ser descartada. Um ataque aéreo massivo, concentrado em infraestruturas críticas, centros urbanos costeiros, sistemas de defesa e logística. Uma tentativa de controlo de pontos estratégicos – ilhas, corredores marítimos, zonas costeiras. Um choque rápido, de alta intensidade, desenhado para desorganizar antes de consolidar.

Mas aqui entra o detalhe que raramente cabe nos planos: o “depois”. Desembarcar tropa é uma coisa. Sustentar é outra. Controlar território hostil, com profundidade estratégica, redes locais e capacidade assimétrica, é um problema de outra ordem. E é nesse momento que o custo humano deixa de ser abstração e passa a contabilidade política. Quantos homens são necessários para transformar um mapa em realidade? E quantos regressam? A história recente oferece respostas pouco animadoras.

É neste ponto que a ironia se torna inevitável. Um plano apresentado como alternativa à guerra pode, na verdade, ser o seu prólogo. Uma proposta impossível pode ser apenas o argumento necessário para justificar o inevitável: “tentámos a diplomacia”. E, no entanto, há um elemento que não pode ser ignorado: o outro lado também lê o jogo.

O Irão não é um ator passivo. Sabe que aceitar este plano seria abdicar da sua própria lógica de sobrevivência. Mas rejeitá-lo implica navegar um espaço perigoso, onde cada recusa pode ser reinterpretada como provocação. A margem de erro é mínima.

O “acordo impossível” cumpre assim a sua função essencial: não resolver, mas enquadrar. Não pacificar, mas preparar. Não construir confiança, mas gerir perceções. E talvez seja essa a sua maior eficácia. Porque, no fim, não se trata de chegar a um entendimento.

Trata-se de definir quem será responsabilizado pela sua ausência ou quem reconhecerá primeiro que não tem hipótese de continuar.

18 março 2026

Será que não ter plano de guerra é o «plano» de Trump?

(Alastair Crooke in Resistir, 18/03/2026)


Os iranianos têm uma palavra a dizer sobre o término da guerra. E afirmam que estão apenas a começar.


O modelo de guerra de ataques aéreos de confronto entre os EUA e Israel está a ser desafiado por uma guerra assimétrica estratégica bastante diferente – uma guerra planeada inicialmente pelo Irão há mais de 20 anos.

É importante compreender isto ao tentar avaliar onde reside verdadeiramente o equilíbrio da guerra. É como comparar laranjas com limões; são essencialmente diferentes em caráter.

Continuar a ler o artugo completo aqui.

Entre o roubo e a extorsão, a União Europeia balança

(Por José Goulão, in SCF, 03/11/2025)


Eis o estado a que chegou o comportamento da União Europeia, farol da democracia liberal e da “nossa civilização”.


Roubar os activos russos congelados em território europeu ou extorquir ainda mais dinheiro aos contribuintes dos Estados Membros, eis o dilema que aflige a União Europeia neste último trimestre de 2025.

Ao contrário do que poderia parecer a quem ainda acredita nos discursos, documentos e propaganda da UE, não são os escrúpulos que tolhem os dirigentes dos Estados-membros, mas sim os riscos que qualquer das hipóteses acarreta, e que alguns “desalinhados” não estão para partilhar. A organização não é propriamente virgem em roubar outros Estados e em extorquir bens aos próprios cidadãos, mas, desta feita, se as coisas não correrem bem haverá perdas, danos e novos amuos e dissidências entre os governos – quiçá deitando mais achas para a fogueira em que arderá uma entidade que mente e falta ao respeito aos seus povos.

O mais relevante busílis da questão é, de novo, a angariação de meios para continuar a dar de mamar ao regime de Kiev e ao energúmeno Zelensky. Bruxelas continua a tentar convencer-nos de que temos de abdicar até ao último cêntimo, no limite até ao último soldado, para impedir que os russos venham tomar conta das Berlengas, dos Farilhões e da ilha do Pessegueiro*, uma verdadeira obsessão no Kremlin. Parece que Moscovo não pensa noutra coisa e então os 27 têm mesmo de transformar o território ainda controlado pelos nazis de Kiev num “porco espinho de aço”, como se ouve dizer a governantes de países da União e a muitos eurocratas.

O que está em discussão é a maneira de arranjar 140 mil milhões de euros para financiar o regime de Zelensky, antes que este fique sem dinheiro, o que se prevê possa acontecer em Março próximo. Como se sabe, Donald Trump não é o mãos largas que foram os seus antecessores desde Obama – ele próprio no primeiro mandato –, pelo que compete à União Europeia arcar com o frete.

Mais um frete, como sabemos. Neste momento Bruxelas procura os tais 140 mil milhões para financiar Kiev, a que se somam os 100 mil milhões necessários para comprar armas aos Estados Unidos e enviá-las para a Ucrânia Ocidental e também os 800 mil milhões calculados para modernizar o “sistema de defesa” (leia-se o aparelho de guerra) dos Estados membros para meter medo a Putin, o terrível.

Contas feitas, a União Europeia anda à procura de mais de um bilião de euros a sério (mil vezes mais volumoso que o bilião usado nas contas anglo-saxónicas) directa ou indirectamente relacionado com a guerra na Ucrânia. Neste sufoco financeiro, que faz inveja ao mais refinado masoquista, a União está ainda envolvida na emissão de 800 mil milhões de eurobonds para mutualizar, à escala dos 27, o investimento considerado necessário à recuperação do estado miserável em que se encontra a sua economia. Uma situação que é, por sinal, uma consequência da política seguida pela União Europeia e que reduziu o aparelho produtivo da zona a um anão manietado perante o resto do mundo.

Extorquir é difícil, roubar é arriscado

Na reunião do Conselho Europeu realizada na segunda quinzena de Outubro, os 27 decidiram não decidir sobre a metodologia a estabelecer para juntar os 140 mil milhões de dólares destinados a alimentar Zelensky e “reparar” o seu território em ruínas.

A alternativa que mais tempo ocupou a Van der Leyen, Costa e aos chefes dos governos dos 27 foi a do roubo. Isto é, levantar os 140 mil milhões de activos russos congelados na Bélgica e enviá-los para Kiev.

Na generalidade, a maioria dos presentes defenderam esta possibilidade, mas Bart De Wewer, o direitista flamengo que chefia o governo de Bruxelas, não esteve pelos ajustes. O dinheiro está sob a tutela de uma entidade denominada Euroclear, sediada em Bruxelas, e o primeiro-ministro belga considera que a União subestima os aspectos legais envolvidos no “movimento” desses activos sequestrados, pelo que os riscos devem ser partilhados pelos 27 no caso de haver uma decisão impondo a devolução do dinheiro a Moscovo. Além de De Wewer ter todo o direito a precaver-se para não ter de assumir a totalidade dos eventuais encargos, os 27 rapidamente perderam alguns membros nesse processo, que exige aprovação por unanimidade. Isto é, ou a Bélgica assume isoladamente as consequências do roubo, ou não haverá envio de dinheiro para Zelensky através deste método. A Hungria, a Eslováquia e, muito provavelmente, a República Checa entendem não assumir a responsabilidade de continuar a guerra na Ucrânia e muito menos a necessidade de extorquir dinheiro aos cidadãos no caso de o vício cleptómano da maioria dos seus colegas de Conselho Europeu ter consequências nocivas.

Como já se disse, o Conselho decidiu não decidir sobre a matéria, empurrando o assunto para a reunião do fim de Dezembro. Até lá, os mais ardentes defensores do roubo esperam que as enormes pressões que vão exercer (chantagem talvez seja a palavra mais adequada) sobre De Wewer e o seu governo sejam bem sucedidas e a Bélgica assuma sozinha os riscos de enviar para terceiros o dinheiro que não lhe pertence – e à revelia dos legítimos proprietários.

Nada de novo, afinal, nas práticas da União Europeia.

Com o seu toque de desespero foi colocada na mesa uma outra alternativa para financiar o nazismo de Zelensky: emitir eurobonds, ou seja um empréstimo partilhado por todos os governos da União para tentar tapar o irreparável buraco orçamental do regime de Kiev. Ou seja, os nossos governos viriam mais uma vez aos nossos bolsos para sustentar a guerra, a ditadura e a destruição no território ocidental da entidade ainda chamada Ucrânia.

Para começo de conversa, houve logo quem considerasse essa hipótese “tóxica”.

Nos bastidores do Conselho, funcionários anónimos citados pelo “Político” garantiram que países “frugais” como, por exemplo, a Alemanha e a Holanda, não querem nem ouvir falar em emissão de eurobonds “nos próximos dez anos”. A unanimidade exigida ficou, desde logo, comprometida, pelo que nem será necessário esperar pelas previsíveis negativas da Hungria e da Eslováquia, pelo menos.

Por outro lado, países “esbanjadores” como a França, a Itália, e certamente Portugal (onde o respeito pelos cidadãos está abaixo de zero) não têm condições para corresponder à partilha de obrigações, porque excessivamente endividados já eles estão. Além disso, numerosos outros governos desconfiam de mais empréstimos mutualizados porque a “disciplina financeira” na União é uma rematada indisciplina – logo, não haveria garantias de que muitos governos cumprissem as suas obrigações na amortização de uma dívida da ordem dos 150 mil milhões de euros.

Além de tóxico, houve funcionários que qualificaram este acto de extorsão contra os cidadãos como “ridículo”, tal a impossibilidade de se consumar.

Os mais persistentes membros do Conselho levantaram ainda uma outra possibilidade: a de mobilizar os activos russos sequestrados em outros países que não a Bélgica. Segundo o “Político”, o seu valor não vai além de 25 mil milhões de euros, implicando uma desesperada baixa de expectativas em relação aos 140 mil milhões congelados em Bruxelas. Além disso, nada garantiria que os chefes dos governos dos países onde jazem esses activos se comportassem de maneira diferente da Bélgica e assumissem por conta própria os riscos de o roubo ser revertido.

Avaliada a situação, parece que a via mais plausível para tentar corresponder às pulsões ditatoriais e destruidoras de Zelensky é a aposta nas diligências para “vergar De Wewer”, como se diz nos corredores do poder da União. Por um lado, em Bruxelas considera-se certo que a Rússia não terminará a guerra unilateralmente, condição para que os activos de Moscovo fossem descongelados. Por outro, muitos dirigentes e eurocratas temem que a Rússia responda a um eventual roubo dos seus bens com o envio de um exército de experimentados advogados capazes de fazer a vida negra aos cleptómanos e forçá-los a indemnizar Moscovo num total idêntico aos valores de que se apropriaram ilegalmente, acrescidos de juros bem pesados, sem contar com as custas dos processos. Tanto mais que Moscovo tem com a União um tratado de investimento mútuo desde 1989 e cuja existência pode tornar o processo ainda mais complexo e desfavorável a Bruxelas.

Era também a isto que aludia o primeiro-ministro belga quando alertou os seus parceiros de Conselho para o facto de estarem a subestimar os riscos e as possíveis consequências do assalto aos bens de uma outra nação.

Roubo ou extorsão dos contribuintes? Eis o estado a que chegou o comportamento da União Europeia, farol da democracia liberal e da “nossa civilização”, na sua cegueira para financiar uma guerra perdida e sustentar um decrépito regime filonazi.

* Pequenas ilhas ao largo da costa ocidental portuguesa

Fonte aqui

 

Após roubar os contribuintes europeus, Zelensky usa a chantagem para entrar na União Europeia

(Editorial de SCF, 10/10/2025, Tradução República Digital)


A ditadura corrupta de Zelensky é apenas um pálido reflexo dos seus patronos em Washington, Bruxelas, Paris, Berlim e Londres. 


Desde que a guerra por procuração da OTAN liderada pelos Estados Unidos contra a Rússia eclodiu em fevereiro de 2022, a União Europeia distribuiu 216 mil milhões de dólares em ajuda à Ucrânia. Isto equivale a 186 mil milhões de euros, de acordo com a última contagem oficial da UE. O número real provavelmente será ainda maior.

Os Estados Unidos deram uma quantia semelhante à Ucrânia. Tudo pago pelos contribuintes. Isto é cerca de 400 mil milhões de dólares no total em três anos, com a UE a prometer mais nos próximos anos.

Para colocar isto em perspectiva, a ajuda da UE à Ucrânia é múltiplas vezes superior àquela que todos os 27 países membros receberam — juntos — do orçamento colectivo e da administração do bloco. De acordo com a Euronews, alguns dos maiores beneficiários de subsídios da UE a cada ano são a Alemanha (14 mil milhões de euros), a França (16,5 mil milhões de euros) e a Polónia (14 mil milhões de euros). Alguns dos países beneficiários menores são a Áustria, a Dinamarca e a Irlanda (cerca de 2 mil milhões de euros).

Isto significa que a Ucrânia recebeu muito mais do que todos os membros da UE juntos.

Perceba isto. A Ucrânia, que não é membro da União Europeia, está a receber muito mais do que os estados membros reais. E você pergunta-se por que razão as pessoas em França estão a sair às ruas com raiva porque o seu governo caótico quer cortar pensões e outros serviços de bem-estar social para economizar dinheiro.

Noutros locais, os governos europeus estão a entrar em colapso devido a dívidas insustentáveis. E, ao mesmo tempo, os cidadãos europeus estão constantemente a ser ensinados de que os seus Estados precisam de gastar cada vez mais dinheiro com a aliança da NATO, até ao ponto insultuoso de terem de aceitar o corte de benefícios sociais e serviços públicos.

A Ucrânia e o seu regime corrupto de neonazis em Kiev sangraram a Europa. O chamado presidente, Vladimir Zelensky (que cancelou as eleições no ano passado, por isso ele não é realmente um presidente legítimo), está a canalizar 50 milhões de euros por mês para fundos estrangeiros para a sua aposentação, enquanto a sua esposa faz compras de luxo em Nova Iorque e Paris. Outros membros do regime, como o ex-primeiro-ministro e agora ministro da “Defesa” Denys Shmyhal, também estão envolvidos em corrupção, desviando mil milhões da ajuda militar que os contribuintes ocidentais pagaram.

Esta semana, Zelensky levou o seu bronzeado a novos níveis — se isso for possível. Ele está a exigir que a Ucrânia se torne membro da UE e quer mudar as regras do bloco para acelerar o processo. A UE concedeu à Ucrânia (e à Moldávia) um caminho acelerado para a adesão, mas, para seu crédito, a Hungria opôs-se a isso.

Em junho, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, vetou a continuação das negociações de acesso para a Ucrânia. De acordo com as regras da UE, deve haver unanimidade entre os países membros para a aprovação de novos membros. Orbán disse que a Ucrânia não é elegível por causa da actual guerra contra a Rússia. “Estaríamos a importar uma guerra”, disse ele.

Além disso, Budapeste opõe-se às leis da língua ucraniana que discriminam uma minoria húngara na região ocidental de Zakarpattia, na Ucrânia. (A língua russa também foi proibida em repartições públicas). Um referendo realizado na Hungria em junho registou que 95% dos eleitores eram contra a Ucrânia se tornar membro da UE.

Zelensky está a avançar independentemente, com a sua irritação irritada. Numa conferência de imprensa conjunta em Kiev na segunda-feira, com a indulgência do primeiro-ministro holandês ao seu lado, Zelensky disse: “A Ucrânia estará na União Europeia, com ou sem Orbán, porque é a escolha do povo ucraniano”.

O pequeno ditador ostentou a sua presunção insuportável ao insinuar que a União Europeia mudaria as suas regras para contornar o veto da Hungria — tudo apenas para acomodar o seu regime de roubo. “Mudar o procedimento é chamado de encontrar um caminho sem a Hungria”, disse ele. E numa rejeição arrogante do processo democrático, Zelensky afirmou que o povo húngaro apoia as suas ambições na UE, contradizendo o referendo de junho.

Orbán respondeu com firmeza dizendo a Zelensky que ele não poderia chantagear a sua entrada na União Europeia. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria, Péter Szijjártó, acrescentou uma dose de realidade ao afirmar: “A decisão sobre qual país está pronto para ingressar na União Europeia e qual pode ingressar na UE não será tomada pelo presidente da Ucrânia, mas pela própria União Europeia, onde tais decisões exigem unanimidade”.

Noutro comentário, Szijjártó acertou em cheio ao dizer que Zelensky está “completamente desligado da realidade”. O diplomata húngaro também lembrou que o regime de Kiev está a explodir a infra-estrutura de energia e a colocar em risco os interesses vitais dos membros da UE.

No mês passado, as forças ucranianas explodiram o oleoduto Druzhba da Rússia, cortando o fornecimento de energia para a Hungria e a Eslováquia. O regime de Zelensky realizou a sabotagem como retaliação pela oposição de Budapeste ao pedido da Ucrânia à UE. É a isso que Orbán sem dúvida se estava a referir quando criticou Zelensky esta semana por usar chantagem.

Então, aí está. Um regime neonazi corrupto e não eleito, liderado por um golpista judeu que toca piano com o seu pénis enquanto usa salto alto feminino, está a usar tácticas terroristas para atacar os interesses vitais dos membros da UE e agora está a dizer a esses membros que eles não terão direito a voto nos processos da UE, porque o regime decidiu que se tornará membro do bloco. Você não poderia inventar. Isto também depois de roubar os contribuintes do bloco em 186 mil milhões de euros para travar uma guerra contra a Rússia — uma guerra que matou 1,5 milhões de soldados ucranianos — que poderia sair do controlo numa Terceira Guerra Mundial nuclear.

Se este é o tipo de ruína que este regime pode infligir enquanto não for membro da UE, só podemos imaginar a paisagem infernal que trará depois de se tornar um membro.

Uma analogia poderia ser um morador ser atormentado por um gangue criminoso pendurado ao redor do portão e, em seguida, a família convidar o gangue para dentro do local. O líder do gangue gaba-se, coloca as suas botas sujas na mesa e começa a exigir isto e aquilo dos moradores, usando chantagem para prejudicar as crianças da casa ou alguma outra abominação.

No entanto, os verdadeiros culpados desta farsa obscena são as elites americanas e europeias que fomentaram a guerra contra a Rússia. Juntos, eles mimaram e consentiram o regime de Kiev com generosidade e indulgência, pagas pelos contribuintes. A classe dominante transatlântica EUA-UE cultivou o regime de corrupção e guerra desde o golpe de 2014 apoiado pela CIA em Kiev contra um presidente eleito. A raquete lavou centenas de mil milhões de dinheiro público para o complexo industrial militar ocidental. A raquete destruiu as economias da Europa e agora está a destruir a aparência de democracia dentro da Europa. (Não está claro qual é a posição de Trump em tudo isto, mas ele provavelmente não conta de qualquer maneira.)

A classe dominante imperialista ocidental está tão obcecada com o seu esquema de “derrota estratégica” da Rússia (e da China) e de dominação global que está disposta a cultivar qualquer regime que possa usar para os seus objectivos, não importa o quanto isto viole o direito internacional e os seus próprios princípios democráticos professados.

A ditadura corrupta de Zelensky é apenas um pálido reflexo dos seus patronos em Washington, Bruxelas, Paris, Berlim e Londres. Eles estão todos separados da realidade.

Fonte aqui

Sem Druzhba não há milhões – sem petróleo não há ilusões

(João Gomes, in Facebook, 16/03/2026)


Enquanto os ministros europeus discutem em Bruxelas sobre como salvar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, Zelensky enfrenta o dilema de um oleoduto soviético chamado Druzhba pipeline. Um tubo de ferro que, ironicamente, define o futuro de milhões de europeus muito mais do que qualquer debate em comissões ou cimeiras.

Zelensky, entre um sorriso diplomático e uma declaração aos jornalistas, recorda a todos que “está a ser forçado a reativar o Druzhba”, como se estivesse a negociar não petróleo, mas princípios morais no menu do café. A Hungria de Orbán observa do lado eleitoral, e a Eslo­váquia acena com inspeções externas, como se a burocracia pudesse tapar um buraco no fornecimento de energia.

Do outro lado, a União Europeia mantém a pose: sanções contra Rússia até 2028 e uma convicção inabalável de que, se não ceder, será moralmente superior. O problema é que, sem o Druzhba, o moral europeu sobe, mas os preços da energia também. E se a teimosia de Zelensky e de Bruxelas se mantiver, a economia do continente poderá começar a tremer antes de os tanques russos sequer respirarem na frente ucraniana.

O resultado, já visível: os cidadãos olham para os termómetros, as contas da luz e os preços do combustível, percebendo que sem petróleo não há ilusões; há apenas faturas a chegar e fábricas a reduzir produção. Enquanto isso, o drama político transforma-se numa espécie de teatro de marionetas, onde cada ator finge ter um plano e todos sabem que ninguém quer ceder.

Ironia: Zelenskyy quer manter a moral e as sanções intactas, Orbán quer votos e segurança energética imediata, e a UE? Bem, a União Europeia continua a produzir cimeiras, relatórios e declarações diplomáticas. E, nesse meio tempo, os milhões que dependem do fornecimento russo aguardam pacientemente, pagando em euros ou em ilusões.

No fim, fica claro que sem Druzhba não há milhões – sem petróleo, não há ilusões. E talvez seja isso o único consenso que Bruxelas e Kiev conseguem alcançar: uma lição amarga de geopolítica aplicada à vida real.