30 agosto 2025

As mentiras do Costa e da Ursula têm perna curta

                     (Alexandre Guerreiro, in Facebook, 29/08/2025)

Imagem Google Maps

O Costa estava “horrorizado”. A Ursula brandia mais um pacote de sanções. Os russos eram uns malvados a matar civis e a atacar um escritório da União Europeia, vazio na hora do incidente, mas que ficou sem parte do telhado.

Afinal a Rússia limitou-se a atacar um objetivo militar: uma fábrica de componentes para drones existente a poucos metros do escritório da UE – que a Ucrânia planta em zonas residenciais para evitar que sejam atacadas -, e que levou com alguns dos estilhaços provocados.

Ó Costa, é fácil enganar pategos, mas é mais difícil enganar o Google Maps! 

Estátua de Sal, 29/08/2025

Vários representantes da União Europeia vieram a público condenar um “ataque russo” contra “infra-estruturas civis” que “causou danos” à Missão da UE em Kiev.

De Ursula von der Leyen à missão diplomata alemã, todos falaram em uníssono, sem personalidade, como é natural. Sucede que tudo isto é falso. E explico facilmente o porquê.

1- Abram o Google Maps e descubram por vocês mesmos.

2- A Delegação da UE na Ucrânia localiza-se na Volodymyrska Ulytsa, n.º 101.

3- Já o British Council, que sofreu danos, localiza-se na Zhylianska Ulytsa, n.º 29.

4- Os dois pontos estão a menos de 140 metros de distância.

5- Agora, façam zoom e vejam o que é que está no outro lado da estrada da Zhylianska Ulytsa, nos números 30 e 32.

6- Até o Google Maps diz que são “UAV components”, ou seja, “peças de drones”.

7- Trata-se da localização da tal Ukrspecsystems, a empresa responsável pelo fabrico e reparação dos drones SHARK e PD-2 que os ucranianos usam para atingir alvos residenciais e civis na Rússia.

Da próxima, Ursula von der Leyen e afins que peçam a Zelensky para não colocar alvos militares junto a civis, muito menos colados à missão diplomática da UE na Ucrânia.

16 agosto 2025

Cimeira histórica no Alasca:

muito mais do que parece

(Carlos Fino, Agostinho Costa, Tiago André Lopes,16/08/2025)


Correu tudo bem. Grande encenação, dois grandes actores. A União Europeia continua em negação, a rilhar a língua despeitada. Os próximos capítulos da novela só podem ser positivos. O palhaço de Kiev está sem pinta de sangue e ontem snifou a sua cocaína em dose tripla… 

Segue excelente texto de Carlos Fino sobre a Cimeira e vídeo com as opiniões do Major-general Agostinho Costa e de Tiago André Lopes.

Estátua de Sal, 16/08/2025

(Carlos Fino, in Facebook, 16/08/2025)


Asensação, à primeira vista, é de frustração: só isto? Afinal, tanto barulho para nada?! Mas, olhando melhor, por detrás da aparente inocuidade, está uma enorme mudança – Trump e Pútin viraram a página do confronto total à beira do abismo, retomando a via do confronto regulado. Parecendo pouco, é enorme -verdadeiramente histórico.

O grande vencedor imediato é Pútin, que, de vilipendiado e ostracizado, voltou,

em passadeira vermelha, pela mão (e o aplauso!) de Trump, ao grande palco da política mundial. De onde, na realidade, apesar da hostilidade ocidental, nunca chegou a sair graças aos BRiCS, engenhosa e paciente construção da diplomacia russa. Mas uma coisa é lidar com a versão contemporânea dos antigos Não Alinhados do tempo da Guerra Fria, outra falar de igual para igual com o líder da maior potência mundial, em encenação mediática de repercussão universal, prendendo as atenções de todo o mundo.

Trump, por seu turno, a coberto de uma nuvem de ameaças e zigzagues para confundir e despistar os seus poderosos adversários neoconservadores, consegue a proeza de restabelecer as relações com a Rússia praticamente contra tudo e contra todos. Compreendendo que a guerra na Ucrânia está perdida, teve a sagacidade de se colocar de fora ainda a tempo, agindo como se fosse parte neutra e evitando dessa forma para os EUA mais uma retirada sem honra nem glória como aconteceu no Vietname e no Afeganistão. Em compensação, vê abrirem-se-lhe as portas de acesso às riquezas da Sibéria e do Ártico, em cooperação com Moscovo. Não é um mau negócio.

A paz eterna está finalmente estabelecida? Não, de modo nenhum, infelizmente! Em declínio, mas ainda maior potência do planeta, os EUA continuarão a contrariar a emergência de potências rivais, em particular a China, que já se perfila no horizonte como seu principal desafio. Mesmo em relação à Rússia, não terminarão amanhã os esforços de a conter, sempre e onde puderem – do Báltico ao Cáucaso, passando pela Ucrânia. Mas, neste último caso, parece haver vontade de uma progressiva retirada, agora que a Rússia está em vias de ganhar.

Os grandes perdedores são manifestamente Zelensky e os europeus, que insistiram na guerra, totalmente alinhados com a administração Biden, primeiro, e não sabendo depois distanciar-se a tempo quando Trump sinalizou que ao excessivamente caro intervencionismo externo dos seus antecessores, preferia virar-se para dentro, a fim de Make America Great Again. É triste olhar para os protagonistas da UE neste cenário.

Obtida a certeza de que não haverá Nato na Ucrânia nem Ucrânia na Nato, os russos vão continuar a avançar até que Kíev aceite as realidades no terreno. Ou que, por força das contradições internas que tendem a acentuar-se com as derrotas, haja eventualmente uma mudança de regime naquela que foi “a primeira de todas as cidades russas”.

Ou seja, de imediato, não haverá cessar-fogo. Mas o tom já mudou na relação entre Moscovo e Washington. E esse é o grande resultado desta aparentemente vazia cimeira histórica no Alasca.

Alasca: mesa dos grandes:

Trump e Putin discutem a paz 
e o futuro do mundo.


(Estátua de Sal, Dmitri Orlov, Agostinho Costa, 15/08/2025)



Hoje pode ser um dia histórico para o mundo, por boas ou por más razões. Aguardemos. Mas subscrevo a posição do Major-general Agsotinho Costa que defende – ver no vídeo abaixo uma antevisão possível dos resultados da cimeira -, que os líderes das duas maiores potências nucleares se encontrarem cara a cara já é, só por si, uma positiva e boa notícia. Sobre o que pode estar em jogo, de parte a parte, e em discussão no encontro, publico também o excelente texto de Dmitri Orlov.

A Estátua fica com a parte cínica da análise. A subalternidade patética das lideranças europeias. Os cães ladram mas a caravana passa… Macron e Von der Leyen? Nem sequer foram relegados para o fundo da sala… permanecem na Europa, a comentar pela televisão. A UE sonhava em ser um «ator estratégico»; acabou por se tornar um espectador mudo, arruinado e dependente da boa vontade dos outros. Anos de postura belicosa para não conseguir nem mesmo um lugar secundário quando é importante. Chama-se a isso: ser expulso do jogo sem sequer ter tocado na bola.

Estátua de Sal, 15/08/2025

Políticos à beira de um ataque psicótico

(Dmitri Orlov, in Resistir, 15/08/2025)



Na sexta-feira, 15 de agosto, Vladimir Putin e Donald Trump têm uma reunião marcada em Anchorage, no Alasca. Estas são todas as notícias até o momento: os presidentes da Rússia e dos Estados Unidos se reunirão pessoalmente; os detalhes da conversa não são conhecidos antecipadamente e, em qualquer caso, são confidenciais.

https://resistir.info/russia/orlov_14ago25.html 
Dmitri Orlov

Na sexta-feira, 15 de agosto, Vladimir Putin e Donald Trump têm uma reunião marcada em Anchorage, no Alasca. Estas são todas as notícias até o momento: os presidentes da Rússia e dos Estados Unidos se reunirão pessoalmente; os detalhes da conversa não são conhecidos antecipadamente e, em qualquer caso, são confidenciais.

Se se interessa por este tipo de assunto, provavelmente convém começar a prestar atenção na sexta-feira aos comunicados oficiais da Rússia e dos Estados Unidos que provavelmente serão publicados após o evento. Talvez você possa assistir à coletiva de imprensa conjunta, se houver. E depois, se quiser manter uma boa higiene informativa, recomendamos que se desconecte por pelo menos uma semana para que analistas competentes possam fazer suas análises.

Em vez dessa higiene informativa, muitas pessoas estão sujeitas a uma histeria generalizada. Os meios de comunicação e blogueiros ocidentais estão a espalhar um bombardeio assustador de comentários e notícias falsas (já que há poucas notícias reais para contar). Esse bombardeio centra-se principalmente em quem disse o quê, ignorando o facto de que quem disse não é relevante e o que foi dito não tem importância. Em particular, qualquer frase que contenha o nome «Zelensky» é garantia de disparate.

A histeria em massa nos meios de comunicação ocidentais é perfeitamente justificável: existe um desespero crescente por parte dos líderes (duvido em chamá-los assim) europeus e ucranianos para manter a sua relevância numa situação em que o que está em jogo é incalculável. Níveis semelhantes de desespero são palpáveis entre o setor anti-Trump na costa ocidental do Atlântico.

Trump e os seus apoiantes também estão desesperados:A economia americana está a entrar em colapso, o desemprego está a aumentar, os mercados financeiros estão sobrevalorizados três ou quatro vezes e estão prontos para uma queda vertiginosa.
Até dois terços do custo das criativas tarifas de Trump recairão sobre o consumidor americano e toda a estratégia de tentar corrigir os desequilíbrios comerciais através da imposição de tarifas começa a parecer uma péssima ideia.
Os défices orçamentais e os pagamentos de juros dos EUA estão em máximos históricos...

... E não há êxitos a relatar. No entanto, há alguns fracassos a apresentar. Para começar:A Gronelândia continua dinamarquesa, o Canadá continua canadiano e o Canal do Panamá continua panamenho, e Trump continua a tagarelar sobre isto e aquilo.
O esforço para controlar os gastos federais dos EUA através da mobilização de Elon Musk e do seu DOGE não surtiu qualquer efeito, gerando poupanças insignificantes.
A Guerra dos Doze Dias com o Irão foi, em última análise, uma derrota para Israel, que não conseguiu defender o seu território nem mesmo com a ajuda dos Estados Unidos, estupidamente ficou sem mísseis de defesa aérea e acabou implorando aos EUA para que por favor o parassem. Felizmente para Trump, cada vez mais americanos não se lembram do que se tratava tudo isso.
A tentativa de infligir uma derrota estratégica à Rússia lançando a Ucrânia contra ela é um desastre absoluto e irremediável.

Diante desse cenário de fracasso, é bastante compreensível que Trump tenha aceite a tábua de salvação oferecida por Putin através do seu amigo Steve Witkoff. Afinal, esta é a oportunidade de Trump mostrar-se presidencial no cenário mundial, pois há vários temas de conversa muito importantes que os líderes russos e americanos deveriam ter abordado há anos, impedidos primeiro pelo escândalo da falsa intromissão russa e, depois, pela falsa presidência de Biden e sua autopen (caneta que assina automaticamente em substituição de quem não consegue empunhar uma caneta, instrumento utilizado nas sombras sob a fachada de um ancião moribundo e demente colocado no lugar da presidência dos Estados Unidos, NT). Há uma acumulação de questões bilaterais importantes a resolver e apenas os dois presidentes, reunidos cara a cara, podem impulsionar o processo.

A tentar ser exaustivo, permitam-me repassar a lista de pontos, infelizmente atrasados, da agenda desta cúpula:

1. Prevenção da guerra nuclear

Um ponto óbvio para encabeçar a lista são os dois tratados de limitação de armas estratégicas (Novo START, Tratado sobre Redução de Armas Estratégicas; ABM, Tratado sobre Mísseis Antibalísticos, NT), que expiraram ou estão prestes a expirar, mas que devem ser renegociados. Os Estados Unidos e a Federação Russa concordaram com uma prorrogação de cinco anos do Novo START para mantê-lo em vigor até 4 de fevereiro de 2026. O Tratado INF (Tratado sobre Forças Nucleares de Alcance Intermédio, NT) está praticamente obsoleto; Trump retirou-se unilateralmente em 2019, mas Moscovo continuou a aderir, até 4 de agosto de 2025, a uma proibição autoimposta contra a sua violação.

É fundamental que a Rússia e os Estados Unidos, de longe as maiores potências nucleares do planeta, renegociem esses tratados, uma vez que a Rússia possui um novo conjunto de armas que invalida todos os cálculos estratégicos anteriores. Entretanto, os Estados Unidos mantiveram-se praticamente estagnados ou recuaram, e as suas armas mais recentes deram um passo para trás. Por exemplo, o seu suposto hipersónico Dark Eagle atinge, em primeiro lugar, Mach 5, pelo que não é hipersónico, mas sim supersónico e, em segundo lugar, ainda se encontra em fase experimental e muito longe da produção em massa.

Como resultado, em caso de um confronto nuclear entre a Rússia e os EUA, a destruição completa e total dos EUA está agora garantida, enquanto as forças estratégicas americanas já não podem garantir a destruição total da Rússia devido aos sistemas antibalísticos e de defesa aérea russos, que são muito superiores. Além disso, a Rússia já tem, ou em breve terá, a capacidade de dissuadir adequadamente os EUA sem recorrer a armas nucleares.

Por último, tanto os EUA como a Rússia enfrentam ameaças crescentes de atores essencialmente terroristas que utilizam drones novos e avançados, incluindo aqueles que empregam inteligência artificial para localizar alvos e evitar a deteção. Durante o conflito na antiga Ucrânia, a Rússia aprendeu a lidar com essa ameaça utilizando vários novos sistemas de armas, como guerra de radiofrequência, sistemas automatizados de defesa aérea em várias camadas, defesas passivas para veículos e rotas e drones antirrobôs.

Entretanto, os cartéis de droga mexicanos começaram a enviar os seus membros para a antiga Ucrânia para receber treino e em breve estarão prontos para utilizar drones para importar droga para os Estados Unidos (o maior mercado mundial de droga ilegal) e para assassinar funcionários americanos que tentem interferir com estas operações lucrativas. Os Estados Unidos encontram-se atualmente indefesos perante esta nova ameaça e beneficiariam da assistência russa nesta matéria.

Esses assuntos devem ser discutidos em segredo pelos líderes russos e americanos, já que o establishment de defesa americano prefere se afundar na negação enquanto gasta grandes somas em brinquedos de alta tecnologia cada vez mais inúteis e muito caros. Os contratantes de defesa americanos são poucos e poderosos, e eles e os seus numerosos aliados no Congresso americano frustrarão qualquer tentativa de diálogo produtivo. Portanto, seria necessário estabelecer novos canais privados para trabalhar neste assunto.

2. Energia

Os Estados Unidos são atualmente o maior produtor e consumidor mundial de petróleo, com mais de 13 milhões de barris por dia, seguidos de perto pela Arábia Saudita e pela Rússia. No entanto, existem alguns problemas importantes com a produção de petróleo dos EUA, uma vez que a maior parte da produção de gás natural no país é concomitante com a produção de petróleo, com uma quantidade relativamente pequena de perfurações direcionadas especificamente para a extração de gás.

O primeiro problema é que a maior parte do petróleo produzido pelos EUA não é petróleo, mas sim gás natural condensado produzido a partir de poços de petróleo de xisto obtidos através de fraturação hidráulica. O condensado é um líquido, mais do que um gás, mas é muito mais leve do que a maioria dos tipos de petróleo bruto. Portanto, não é diretamente útil para produzir gasóleo para motores de ciclo diesel, nem combustível para aviões ou combustível para bancas (bunker), o combustível utilizado em navios. Consequentemente, os Estados Unidos são em simultâneo tanto exportadores como importadores de petróleo, sendo obrigados a importar petróleo mais pesado a fim de que as suas refinarias produzam o mix necessário de combustíveis para transportes.

O segundo problema é que os Estados Unidos têm as reservas mais baixas de todos os grandes produtores de petróleo. A sua relação reservas-produção é atualmente inferior a 10 anos. No entanto, isso não significa que tenha 10 anos de produção a 13 milhões de barris/dia e, de repente, reduza para zero. Em vez disso, resta-lhe um período incerto, mas possivelmente bastante curto, próximo do nível de produção atual, seguido de um declínio acentuado. Ao contrário dos poços convencionais, que ao se esgotarem tornam-se poços de extração que produzem talvez uma dúzia de barris de petróleo por dia durante muitos anos, atendidos por um simples peão numa carrinha, os poços fraturados (fracking) simplesmente deixam de produzir e devem ser refraturados, com um custo elevado e incerto, ou simplesmente tapados e abandonados. Deste facto, deduz-se que, dentro de alguns anos, grande parte da produção de petróleo dos EUA (ou seja, condensado de gás natural) começará a esgotar-se e, dado que não há outra fonte de petróleo no mundo que compense este declínio repentino, o pico petrolífero voltará a mostrar a sua cara feia.

Atualmente, dado que o esforço para substituir os combustíveis fósseis e a energia nuclear pelas chamadas «renováveis» falhou rotundamente (não são necessariamente renováveis pelos seus fabricantes chineses), os Estados Unidos têm duas opções para mitigar a iminente escassez energética: o petróleo e o gás do Ártico e a energia nuclear. Ambas exigiriam uma preparação enorme e também a assistência russa.

A exploração e produção de hidrocarbonetos no Ártico requer tecnologias que apenas a Rússia possui, como uma frota numerosa e crescente de quebra-gelos atómicos, uma frota cada vez maior de petroleiros projetados para operar no Ártico e muita experiência e tecnologia relevante para projetos energéticos no Ártico. Os Estados Unidos não têm a tecnologia, o tempo nem as competências necessárias para a desenvolver, mas talvez possam iniciar alguns projetos petrolíferos no Ártico com a ajuda da Rússia no pouco tempo que lhes resta. A energia nuclear é também o principal domínio da Rússia. A Rússia é o único exportador em grande escala de tecnologia nuclear. Os seus projetos atuais incluem centrais nucleares na China (centrais de Tianwan e Xudabao), Índia (Kudankulam), Turquia (Akkuyu), Egito (El Dabaa), Bangladesh (Rooppur), Hungria (Paks II) e Irão (Bushehr), que representam aproximadamente 60% da carteira mundial de reatores nucleares. A China constrói numerosas centrais nucleares no seu território. As iniciativas de energia nuclear de todos os outros países podem ser descritas, generosamente, como boutique.

Ao contrário das empresas americanas e europeias, a russa Rosatom tem a capacidade de construir e operar centrais nucleares dentro do prazo e do orçamento, oferecendo uma solução integral que inclui não só a construção do reator, mas também o combustível para os seus 100 anos de vida útil, o reprocessamento do combustível usado e a formação do pessoal local. A Rússia possui o maior e mais avançado conjunto de centrifugadoras de gás do mundo para o enriquecimento de urânio e o único ciclo fechado de combustível nuclear do mundo, o que lhe permite reprocessar e neutralizar o combustível usado dos reatores nucleares. Enquanto isso, os Estados Unidos permitem que o combustível usado se acumule em piscinas de armazenamento em usinas nucleares, transferindo-o eventualmente para um armazenamento próximo em contêineres secos, já que não há onde depositá-lo.

Os Estados Unidos poderiam compensar parcialmente a iminente queda abrupta de sua produção de petróleo ampliando seu parque de reatores nucleares, mas não conseguiriam fazê-lo sem a ajuda da Rússia. Mesmo assim, o êxito de um projeto deste tipo estaria longe de ser garantido devido ao regime regulatório hostil dos Estados Unidos e aos custos gerais exorbitantes de operação devido aos preços excessivos dos cuidados médicos, habitação, custos legais, baixo nível de educação da força de trabalho, dificuldades em encontrar trabalhadores que não sejam alcoólicos ou toxicodependentes, e outros fatores que tornam os Estados Unidos cada vez menos competitivos.

3. O fiasco da Ucrânia

O fiasco em câmera lenta que atualmente se desenrola na ex-Ucrânia é o resultado de um erro estratégico maciço, nascido de um nível igualmente maciço de ignorância sobre a Rússia no seio do establishment americano, cada vez mais degenerado mental e moralmente. O plano original era forçar a Rússia a intervir militarmente para deter o genocídio dos falantes de russo na região de Donbass, no leste da Ucrânia, e depois impor sanções enquanto apoiava militarmente os ucranianos a fim de infligir-lhe uma derrota estratégica. Três anos depois, a economia russa cresce a um bom ritmo, embora não tão rápido quanto poderia se não fosse pela Ucrânia, nem tão rápido quanto a China ou a Índia. Enquanto isso, o exército ucraniano está à beira do colapso e a sociedade ucraniana ultrapassou seu ponto crítico e se aproxima de uma guerra civil. Entretanto, os objetivos da Rússia para a sua Operação Militar Especial na antiga Ucrânia (que não é uma guerra, claro) permanecem inalterados: desmilitarização, desnazificação, neutralidade, estatuto de não bloqueio (não mais expansão da NATO!) e ausência total de tropas estrangeiras (não russas).

Os comentaristas e políticos ocidentais estão desesperadamente a tentar negar que a Rússia está a ganhar. Falam com entusiasmo sobre o possível acordo que Trump e Putin poderiam alcançar quanto à Ucrânia, mas o seu entusiasmo parece infundado. Em primeiro lugar, os acontecimentos recentes demonstraram que Trump não tem impacto sobre a Rússia: a Índia e a China rejeitaram ameaças vazias de impor sanções secundárias aos compradores de petróleo russo, ao passo que o Brasil sugeriu suspender completamente o comércio com os Estados Unidos. Em segundo lugar, o que Trump parece disposto a oferecer (pelo menos é o que se afirma, embora a experiência demonstre que tais afirmações não são de todo verdadeiras, mesmo que sejam feitas pelo próprio Trump) é bastante insignificante.

O que parece apresentar-se é o seguinte:A Rússia mantém a Crimeia, que é realmente temporária como ucraniana (já não é necessário discutir isso), a totalidade das regiões temporariamente ucranianas de Donetsk e Lugansk, mas apenas as partes das terras temporariamente ucranianas de Zaporozhye e Kherson que as forças russas ocupam atualmente, o que essencialmente congela o conflito ao longo da linha de contacto.
Em troca, a Rússia teria de se retirar das regiões de Sumy, Kharkiv e Dnipropetrovsk, que ocupa parcialmente para impedir que as forças ucranianas ataquem as suas regiões vizinhas de Kursk, Bryansk e Belgorod.
Além disso, este seria um acordo de facto sem reconhecimento oficial dos territórios que agora são russos, e qualquer mudança repentina na liderança dos EUA poderia invalidá-lo subitamente, colocando a Rússia numa situação desvantajosa.
Por último, após uma longa série de promessas não cumpridas por parte dos Estados Unidos e do resto da NATO, um acordo deste tipo exigiria um nível de confiança por parte da Rússia que esta não possui de todo.

Estará Trump disposto a admitir que todo o fiasco da Ucrânia é um fracasso por culpa dos Estados Unidos? Talvez não; admitir isso tornaria ainda mais estridentes as negações já estridentes de Kiev, da União Europeia, da NATO e de grande parte da classe dirigente norte-americana. Afinal, Trump está disposto a corrigir-se? Para começar, ele poderia:Ordenar que os EUA restaurem os gasodutos Nord Stream, que são propriedade russa e foram destruídos pelos EUA.
Descongelar os 300 mil milhões de dólares em ativos estatais russos que foram congelados, cujos juros foram canalizados para os ucranianos.
Levantar todas as sanções contra a Rússia (já que agora é evidente que foram impostas por erro).

Isso é o que seria necessário para, pelo menos, iniciar o longo processo de restauração da confiança russa nos Estados Unidos. Mas, como nada disso parece provável, o que estão os russos dispostos a aceitar? Uma pista disso foi dada durante a recente viagem de Steve Witkoff a Moscovo, na sequência da qual foi subitamente acordada a cimeira do Alasca. Deram-lhe um passeio pelo parque Zaryadye de Moscovo, que é bastante bonito, mas isso é apenas um passeio pelo parque. Depois, levaram-no a um restaurante de fast food e ofereceram-lhe um cheburek, uma empada frita recheada com carne picada e cebola, um popular prato russo que custa a exorbitante quantia de 500 rublos (6,24 dólares). Estes detalhes foram apresentados com bastante precisão na cobertura mediática russa da sua visita, para criar expectativas não apenas baixas, mas muito, muito baixas. A continuação adequada de tal prelúdio seria Putin e Trump partilharem uma Coca-Cola Light e conversarem sobre desporto, os seus filhos e o tempo.

Outra pista foi dada pelo presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, durante uma entrevista com um jornalista norte-americano: «[Trump] deve ter sempre em mente que podem mandá-lo para o inferno». Ou seja, se Trump tentar usar algum truque do seu livro A Arte da Negociação, ou tentar pressionar a Rússia, ou lançar ultimatos ou começar a comportar-se como um idiota, Putin poderia facilmente recusar-se a negociar com ele. É preciso entender que há um lado que está a ganhar – e não é o de Trump. Os russos estão bem cientes disso, enquanto os americanos estão envolvidos em seus assuntos e se mostram histéricos a respeito.

Tendo em vista tudo isso, o melhor que se pode esperar da cúpula do Alasca é uma troca de ideias que abranja muitos temas importantes para as relações entre os Estados Unidos e a Rússia, como energia, armas estratégicas e conflitos geopolíticos (que sem dúvida continuarão como até agora). Seria então um excelente prelúdio para a próxima cimeira russo-americana, que se realizará do outro lado do estreito de Bering, no Extremo Oriente russo, se tudo correr bem; e se não, como prelúdio a mais balbucios incoerentes de Trump perante um coro de comentadores ocidentais histéricos. Mas talvez Putin e Trump façam alguns anúncios, como a formação de grupos de trabalho para atuar em projetos energéticos conjuntos, encarregar-se dos preliminares para negociar novos tratados de limitação de armas estratégicas e propor o levantamento de certas sanções à Rússia a fim de facilitar o comércio entre os dois países.

Seria conveniente evitar completamente falar da antiga Ucrânia, uma vez que o tema é controverso e relativamente pouco importante. Uma vez que o regime de Kiev se opõe veementemente à oferta provisória de Trump e parece desesperado para prolongar a guerra o máximo possível, por que mencioná-la? Afinal, os Estados Unidos já não pagam essa guerra; a União Europeia paga, mas o complexo militar-industrial americano receberá o dinheiro da venda de armas de qualquer maneira. Como empresário inflexível, Trump deveria estar satisfeito com este acordo, e a única razão que tem para tentar resolver a situação na antiga Ucrânia é que se considera um grande pacificador e anseia pelo Prémio Nobel da Paz. Teremos de esperar para ver quão forte é essa motivação para ele. Por sua vez, a paz na Ucrânia chegará assim que o Ocidente deixar de a alimentar com dinheiro e armas.

A pergunta é simples:
Trump está disposto a abrir mão das receitas com a venda de armas para tentar ganhar o Prémio Nobel da Paz ?

03 agosto 2025

Os indigentes




A Europa é chefiada por indigentes e Trump perdeu-lhes o respeito, se é que alguma vez o teve. Além de despedaçar a Europa, Trump mostra o seu desprezo pelo projeto europeu que poderia vir a desafiar o poder norte-americano.

Há uns tempos escrevi um texto sobre as vulnerabilidades estratégicas da União Europeia (UE) e como elas condicionam a sua autonomia. Parece que os dirigentes europeus ainda não as interiorizaram. Para que a UE possa sobreviver e tenha margem de manobra política, faz sentido que os seus dirigentes em Bruxelas identifiquem essas vulnerabilidades e o impacto que possam provocar no seu relacionamento com as grandes potências ou blocos comerciais.

Em tempos sugeri que, para nosso bem, a União deveria funcionar como um mediador das divergências geopolíticas entre os EUA e a Rússia e entre os EUA e a China. Isso poderá ser agora demasiado tarde. Tal opção permitiria à Europa afirmar-se como um ator relevante na cena internacional, em vez de se eternizar no papel de deputy sheriff, esvaziando de sentido as suas pretensões de autonomia estratégica por que tanto tem pugnado.

A inabilidade diplomática de Bruxelas levou aos deploráveis espetáculos que começaram em Pequim e se prolongaram na Escócia. Pequim e Washington não respeitam a União Europeia. Em Pequim, Ursula von der Leyen, António Costa e Kaja Kallas foram transportados do avião em que chegaram por um autocarro do aeroporto, como se fossem passageiros de uma companhia aérea económica. Na Escócia, von der Leyen foi recebida no clube de golfe de Donald Trump, e teve de esperar que este terminasse o “último buraco”.

O comportamento destes inefáveis dirigentes recorda-me aqueles que tiveram de recorrer aos fundos europeus e ao alojamento local para manter a mansão de família, mas que ainda procuram impressionar quem os ouve recorrendo insistentemente a um passado que já não existe.

A reunião em Pequim, no dia 24 de julho, com o objetivo de marcar os 50 anos do estabelecimento de relações bilaterais entre a União e a China, saldou-se por um tremendo fiasco. Os pigmeus foram explicar a Pequim como se devia comportar com a Rússia. Não perceberam que a sua vulnerabilidade estratégica não aconselha a falar com voz grossa, e que o atual estado de coisas é, em grande parte, o resultado dos indigentes terem elevado a Ucrânia ao estatuto de principal prioridade da política externa da UE: um estado não-membro tornou-se o principal fator determinante de todas as decisões e respetivas consequências relativamente aos 27 Estados-membros. A cimeira que deveria originalmente ter tido lugar em Bruxelas e durar dois dias reduziu-se a um só, terminando em nada.

Ainda atordoados com o que lhes tinha acontecido em Pequim, foram confrontados, na Escócia, com a segunda humilhação em três dias. Esta continuaria quando cederam em toda a linha às imposições de Trump. Von der Leyen aceitou tudo o que lhe foi imposto. Os EUA estabeleceram uma tarifa única de importação de 15% para a maioria dos produtos da UE, e de tarifa de 0% para alguns produtos estratégicos. Neste pacote de 15% incluem-se os automóveis, o principal motor da indústria alemã e da economia europeia. As tarifas aduaneiras sobre o aço e o alumínio europeus permaneceram em 50%, embora esteja em discussão a possibilidade de se avançar para um sistema baseado em quotas (volume) de exportações, depreende-se.

Simultaneamente, a União comprometeu-se a investir US$ 600 mil milhões nos EUA, a comprar US$ 750 mil milhões de energia norte-americana nos próximos três anos e a aumentar as aquisições de equipamento militar americano. No final von der Leyen descreveu o tratado como um grande sucesso: “Foi difícil para nós. Mas agora conseguimos”, ficando por esclarecer o que foi que conseguiu.

Disse sem se rir, que “as compras de produtos energéticos dos EUA diversificarão as nossas fontes de abastecimento e contribuirão para a segurança energética da Europa. Substituiremos o gás e o petróleo russos por compras consideráveis de gás, petróleo e combustíveis nucleares dos EUA”. O facto de serem significativamente mais caras do que as russas não a incomoda. Terá aderido à tese do então secretário da energia Rick Perry quando este afirmou, em 2019, a superioridade do gás natural norte-americano por ser o gás da liberdade.

Em troca de todas as concessões feitas, a UE não recebeu qualquer contrapartida. Foi um jogo de soma zero. Recorrendo à terminologia de Carlo Cipolla, na sua “Teoria Geral da Estupidez”, os EUA fizeram o papel de “maus” e os dignitários europeus o de “ingénuos”. Segundo alguns especialistas, a UE sofrerá um prejuízo líquido de cerca de 1,4 triliões de dólares sem receber garantias ou benefícios. Depois desta “grande vitória” europeia – conseguiram uma tarifa de 15% em vez dos iniciais 30% -, Trump veio vangloriar-se deste ser o “maior acordo de sempre”, melhor do que os celebrados com o Japão e com o Reino Unido.

Os EUA obtêm receitas significativas pela importação de bens da UE e podem ganhar ainda mais, pois o acordo deixa a porta aberta para Washington aumentar as tarifas se a Europa não cumprir com as compras com que se comprometeu. E, como veremos, muito provavelmente assim será.

A Reuters e a Bloomberg consideram irrealista a possibilidade de Washington exportar energia para a UE no valor de US$750 mil milhões. “A promessa da UE importar US$250 mil milhões de dólares de energia dos EUA [anualmente] é um disparate”, escreve a Reuters. De acordo com os seus dados, os produtores americanos não serão capazes de satisfazer esse nível de importação. O valor total das importações de petróleo bruto da União a partir dos EUA, gás e carvão de coque, em 2024, foi de apenas US$64,55 mil milhões, o que representa 26% dos prometidos US$250 mil milhões, com que a UE se comprometeu a gastar anualmente. Isto significa que a UE não os conseguirá atingir.

Perante tremenda capitulação, as reações nalguns países da União não se fizeram esperar. “É um dia negro quando uma aliança de povos livres, unidos para afirmar os seus valores e defender os seus interesses, se resigna à submissão”, escreveu no X o primeiro-ministro francês centrista François Bayrou. Na manhã de 28 de julho, Viktor Orbán comentava no seu podcast que “não foi um acordo que o Presidente Donald Trump fez com Ursula von der Leyen. Foi o Donald Trump a comer a Ursula von der Leyen ao pequeno-almoço”.

Pelo seu lado, o chanceler alemão Friedrich Merz afirmou não estar satisfeito com o resultado do acordo e reconheceu que a economia alemã iria sofrer danos “significativos”, mas de modo condescendente, afirmou que “simplesmente não era possível fazer mais”. Com a aquisição de equipamento militar aos EUA, o sonho da reindustrialização alemã à custa da revitalização da indústria do armamento poderá estar comprometido.

Os problemas começaram a alastrar, com a agenda verde europeia a entrar em colapso. Segundo o Welt, o Qatar, um dos principais fornecedores de gás natural liquefeito (GNL) da UE, poderá vir a suspender as exportações de GNL para a Europa, a menos que o bloco flexibilize as principais regulamentações climáticas previstas na sua Diretiva da Cadeia de Abastecimento. O Ministro da Energia do Qatar Saad Sherida Al-Kaabi disse ” que as empresas [do Qatar] não devem ser forçadas a escolher entre cumprir as políticas climáticas e as regulamentações da UE”. Parece não serem apenas os chineses a estar cansados das lições e do “paternalismo” da UE.

Estes desenlaces só vêm provar a justeza daquilo que dizemos há anos. A Europa é chefiada por indigentes e Trump perdeu-lhes o respeito, se é que alguma vez o teve. Trump está a conseguir despedaçar a Europa e a mostrar o seu desprezo pelo projeto europeu que poderia vir a desafiar o poder norte-americano.

O acontecimento da Escócia foi uma tremenda vitória político-económica dos EUA e uma clara derrota da UE. Por outras palavras, um embaraço. Trump está a tentar fazer com o Brasil algo semelhante, mas sem sucesso. O Brasil tem uma margem de manobra que a Europa não dispõe. O Brasil tem parceiros, tem opções.

A exímia diplomacia europeia conduziu-nos para um beco sem saída onde não temos aliados. Para onde é que se vai a UE virar? Seguramente que não será para o sul global. Bruxelas tem medo da sua própria sombra. Ao não ter ensaiado uma retaliação conjunta com a China aos EUA cavou a sua própria sepultura. Fraqueza só traz mais exploração.

Depois de impor aos aliados 5% dos orçamentos nacionais em gastos com a Defesa, na Cimeira da NATO, em Haia, e agora este “acordo comercial”, ainda há quem continue a achar que Trump é errático, inconstante, e que não sabe o que quer. Entretanto, campeiam os comentadores mansos e fofinhos, ou se preferirmos, cobardes, a defenderem a TINA (“There Is No Alternative”) e a darem cobertura à humilhação. Talvez se deva aplicar aqui o que rei D. Juan Carlos disse ao presidente venezuelano Hugo Chávez numa cimeira latino-americana. Parece estarmos condenados ao século da humilhação da Europa.
(Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 31/07/2025)

Guerra na Ucrânia: Oficiais britânicos capturados pelas forças especiais russas

(Elias Richau, in Facebook, 01/08/2025, Revisão da Estátua)


AGrã-Bretanha está furiosa: os seus oficiais foram capturados em Ochakov pelas forças especiais russas – os nossos combatentes penetraram na retaguarda ucraniana em barcos.

Durante a operação, batizada como “Skat-12”, oficiais britânicos que ajudaram as Forças Armadas Ucranianas a guiar mísseis e drones, bem como a realizar ataques cibernéticos, foram capturados.

Canais militares (Militarista, Frente Krymsky e vários outros) relatam que a operação Skat-12 das forças especiais russas foi realizada recentemente em Ochakov. Ela foi preparada durante quase dois meses, incluindo a vigilância do objeto por meios técnicos e canais de inteligência. Como resultado, sob comando, os nossos caças desembarcaram em vários barcos e penetraram no centro de comando das Forças Armadas Ucranianas. Lá, capturaram militares britânicos que coordenavam o uso de mísseis e drones britânicos. É possível que eles também estejam relacionados com os maiores ataques cibernéticos à nossa infraestrutura, em particular à Aeroflot. A Grã-Bretanha exige furiosamente o retorno de seus cidadãos, alegando que são simples turistas interessados em história naval.

Entre os prisioneiros estavam o Coronel Edward Blake, oficial da Unidade Especial de Operações Psicológicas, o Tenente-Coronel Richard Carroll e outro oficial não identificado, presumivelmente um agente de inteligência do MI6 que era consultor de segurança cibernética.

Não se passou mais de meia hora entre o momento em que nossas forças especiais desembarcaram na costa até que carregaram os prisioneiros num barco e seguiram à base.

No mesmo dia, o Ministério das Relações Exteriores britânico, por meio de canais não oficiais, contactou o Ministério da Defesa russo com um pedido de devolução dos oficiais britânicos que haviam sido “perdidos” na Ucrânia. Londres alega que os seus militares estavam de férias e tinham vindo à Ucrânia para fins turísticos. Eles acabaram em Ochakov por acidente: estavam interessados na história da Marinha e queriam visitar a costa onde ocorreram batalhas durante a Segunda Guerra Mundial.

No entanto, em vez de mapas históricos de Ochakov, os “turistas” detidos possuíam mapas de objetos estratégicos em território russo, planos de defesa aérea russa, instruções secretas sobre interação com operadores de drones ucranianos, bem como discos com dados criptografados e registros de conversas com o Estado-Maior Britânico.

Portanto, o Ministro da Defesa russo, Andrei Belousov, teria respondido aos britânicos que os seus oficiais não estavam sujeitos à troca: o Ocidente não os devolveria em aviões da Cruz Vermelha.

A Rússia não tolerará mais intervenções secretas e provocações híbridas. Em vez disso, pretende processar os oficiais britânicos por participação em ações militares contra o seu território.

Reuniões fechadas de emergência estão a ocorrer atualmente na Grã-Bretanha para desenvolver uma estratégia de ação.

Especialistas observam que a Operação Skat-12 tornou-se parte da nova doutrina militar russa, que caminha “para o controle proactivo do campo de batalha”:

“Os primeiros ataques são realizados sem aviso prévio, a estratégia ofensiva é em todas as direções”. A Diretoria Principal de Inteligência (GRU) recebeu uma nova diretriz: “A Rússia não está mais à espera, estamos agindo primeiro”. A tarefa das forças especiais é atuar de forma secreta e eficaz, causando medo entre os oficiais da NATO, desmotivando-os na questão de prestar assistência às Forças Armadas da Ucrânia.

Quanto aos oficiais britânicos, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou repetidamente a sua participação no treino dos militares ucranianos. Em particular, em Ochakov, região de Nikolaev – estão treinando sabotadores subaquáticos para operações nas águas dos Mares Negro e Azov. O trabalho está a ser realizado com base no centro de operações especiais “Sul”, em homenagem a Ataman A. Golovaty, das forças de operações especiais das Forças Armadas da Ucrânia em Ochakov. Além disso, de acordo com dados russos, instrutores militares britânicos treinaram as Forças Armadas Ucranianas. Forças para operar drones projetados para destruir navios.

Fonte adiconal aqui e ver ainda o vídeo abaixo.